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      Parceria sino-russa não será abalada após a cúpula do Alasca

      Tentativa dos EUA de enfraquecer cooperação entre China e Rússia reflete mentalidade de Guerra Fria e lógica de soma zero

      Xi Jinping (à esq.) e Vladimir Putin (Foto: Alexander Zemlianichenko/Pool via Reuters)
      Redação Brasil 247 avatar
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      247 – O Global Times publicou nesta terça-feira (19) uma análise sobre a tentativa de setores políticos dos Estados Unidos de inserir a China nas discussões bilaterais entre Washington e Moscou, após a cúpula do Alasca. O jornal destacou que essa abordagem representa uma visão ultrapassada de soma zero, típica da Guerra Fria, que enxerga qualquer ganho de uma potência como perda inevitável da outra.

      A narrativa ganhou fôlego depois de um comentário da Fox Business, no domingo, sobre o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin. Segundo a publicação, a reunião não teria como objetivo a resolução da crise na Ucrânia, mas sim a tentativa de "reduzir a dependência de Moscou em relação a Pequim". O texto sustentou ainda que Washington poderia "usar a fraqueza da Rússia para fraturar sua ligação com a China" e, assim, "reorganizar o tabuleiro" geopolítico para vencer a disputa estratégica contra Pequim.

      Cooperação sólida entre China e Rússia

      Para o professor Li Haidong, da Universidade de Relações Exteriores da China, ouvido pelo Global Times, essa interpretação exagera os efeitos do encontro. Ele lembrou que, atualmente, as relações entre Estados Unidos e Rússia estão fortemente condicionadas pela guerra na Ucrânia e que, mesmo diante de maior engajamento, as contradições estruturais entre os dois países tornam improvável um futuro promissor para essa relação.

      Li ressaltou que a parceria estratégica entre China e Rússia, consolidada ao longo de décadas, abrange confiança política, cooperação econômica, fornecimento de energia, coordenação em segurança e participação conjunta em organismos multilaterais. "Julgar pela lógica histórica e pelas fortes dinâmicas internas das relações China-Rússia, não importa o que os EUA tentem fazer para 'afastar' a Rússia, a base estratégica da cooperação dificilmente será abalada", afirmou.

      Mentalidade da Guerra Fria persiste em Washington

      Segundo o especialista, a insistência de certos setores políticos norte-americanos em incluir a China na narrativa sobre Estados Unidos e Rússia decorre de uma lógica herdada da Guerra Fria, baseada na ideia de soma zero. Assim, qualquer melhora nas relações bilaterais entre Washington e Moscou seria automaticamente interpretada como um problema para Pequim.

      "China espera ver estabilidade nas relações entre grandes potências, bem como um mundo pacífico e próspero. Se as relações entre EUA e Rússia se estabilizarem, o mundo verá mais estabilidade e certeza, o que também é bom para a China", disse Li ao Global Times.

      Multipolaridade contra o confronto de blocos

      A análise destaca que, enquanto os Estados Unidos buscam reforçar um cenário de "divisão e confronto", a China tem defendido a construção de um novo modelo de relações internacionais baseado em ganhos mútuos. Essa visão, segundo o jornal, responde melhor aos grandes desafios contemporâneos — como mudanças climáticas, segurança energética, governança da inteligência artificial e saúde pública — que só podem ser enfrentados com cooperação, e não com isolamentos ou confrontos de blocos.

      Para o Global Times, aqueles que ainda tratam o mundo como um tabuleiro de xadrez e os países como peças manipuláveis permanecem presos a uma visão limitada e ultrapassada. Em contrapartida, o cenário multipolar em ascensão reforça que cooperação e integração são os caminhos necessários para garantir paz e prosperidade em escala global.

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