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      Tarifaço de Trump pode aliviar inflação brasileira em 2025

      Economistas apontam que aumento de tarifas dos EUA reduz preços de alimentos este ano, mas pode gerar pressão inflacionária em 2026

      (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
      Guilherme Levorato avatar
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      247 - O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma ampla lista de produtos brasileiros, deve gerar um alívio temporário na inflação do Brasil em 2025. A avaliação é de economistas ouvidos pelo g1, que destacam tanto a redução imediata de preços quanto o risco de aumento no futuro.

      Entre os itens sobretaxados estão café, carnes, frutas, peixes, máquinas e equipamentos. Como parte dessa produção não encontrará novos mercados externos, a tendência é que o excedente seja direcionado ao consumo interno, aumentando a oferta e, consequentemente, pressionando os preços para baixo.

      Alívio de preços em 2025

      Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, afirma que os maiores efeitos serão sentidos em itens como frutas, peixes e ovos. "A questão de frutas e peixes, esses sim vão tentar colocar o máximo no mercado doméstico e a gente já vê relatos de preços menores. Ovos também devem ficar um pouco mais baratos", disse.

      Segundo ele, outros produtos, como carnes e café, devem registrar quedas menos expressivas, já que exportadores buscam novos destinos. "Talvez o efeito seja um pouco menor, menos sentido", completou.

      André Perfeito, economista, observa que alimentos in natura já contribuem para reduzir o índice de preços e que o impacto do tarifaço tende a reforçar esse movimento.

      Para Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, o efeito deflacionário será limitado. "A gente está falando aí de alguns centésimos de ponto percentual", destacou, citando que frutas como manga e uva já apresentam preços menores, assim como a tilápia, peixe fortemente dependente do mercado americano.

      Risco de alta em 2026

      Apesar da trégua inflacionária em 2025, o cenário para 2026 preocupa. Cruz alerta que prejuízos deste ano podem levar produtores a reduzir a produção no próximo ciclo, o que elevaria preços. "Às vezes o produtor, ele não está com tanto espaço assim, o prejuízo desse ano seja suficiente para que ele no ano que vem ainda assim segure tanto o pé no freio, que aconteça o contrário, os preços subam mais do que o imaginado porque se plantou menos, porque se cultivou, se criou menos peixes".

      Juliana Machado Goncalves Daitx, coordenadora de investimentos da Unicred Porto Alegre, concorda que o impacto positivo será pontual. "Dificilmente terá força para mudar de forma significativa as projeções de inflação de 2026 em diante", disse.

      Papel do Banco Central e juros

      O Banco Central, que desde 2025 adota meta contínua de 3% para a inflação (com tolerância entre 1,5% e 4,5%), já projeta um IPCA de 3,4% para os 12 meses até março de 2027. A instituição calibra a taxa Selic de forma antecipada, considerando que alterações levam até 18 meses para impacto pleno na economia.

      Para André Perfeito, o tarifaço pode acelerar cortes de juros, com a Selic possivelmente encerrando 2025 em 14,50% ao ano, contra os atuais 15%. "É provável que o mercado comece a considerar seriamente cortes de juros este ano e com maior intensidade", avaliou.

      Boragini pondera que cortes antecipados só ocorrerão se a inflação ficar próxima ou abaixo da meta, cenário que considera improvável. "Mas a gente está falando de [as projeções de inflação virem na] meta ou abaixo da meta. Esse não é o nosso cenário, está longe disso o nosso cenário. Tudo pode acontecer sem dúvida nenhuma, mas, repito, não é o nosso cenário e eu acho pouco provável isso acontecer [corte de juros ainda em 2025]", concluiu.

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