Em ataque direto, Trump desafia análise do Goldman Sachs sobre impacto do tarifaço nos EUA
Presidente dos EUA diz que David Solomon “errou” nas previsões e ironiza sua liderança; Goldman estima que consumidores absorveram 22% dos custo
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta terça-feira (12) o CEO do Goldman Sachs, David Solomon, afirmando que o banco fez previsões equivocadas sobre os efeitos das tarifas impostas por sua administração e questionando se Solomon deveria continuar no comando da instituição. As declarações foram feitas em rede social e divulgadas pela Reuters.
Segundo Trump, empresas e governos estrangeiros são os principais responsáveis por pagar os custos das tarifas. “Mas David Solomon e o Goldman Sachs se recusam a dar crédito a quem merece. Eles fizeram uma previsão ruim ... tanto sobre a repercussão no mercado quanto sobre as próprias tarifas”, escreveu. Ele também ironizou o fato de Solomon já ter trabalhado como DJ, dizendo que ele deveria “não se preocupar em dirigir uma grande instituição financeira”. O Goldman Sachs não comentou o assunto, e a Casa Branca não respondeu de imediato.
Projeção do Goldman Sachs
Em nota publicada no domingo, analistas liderados pelo economista-chefe Jan Hatzius afirmaram que consumidores dos EUA absorveram 22% do custo das tarifas até junho e que esse percentual poderia chegar a 67% se a tendência recente continuar. Trump reagiu: “Acho que David deveria sair e arrumar um novo economista”. Hatzius não comentou. Em abril, o banco alertou que tarifas generalizadas poderiam afetar o crescimento global e levar o Federal Reserve a cortar juros de forma mais agressiva.
Empresas sob pressão
Desde 1º de fevereiro, quando Trump impôs tarifas sobre produtos de México, Canadá e China, 333 empresas em todo o mundo relataram impactos, segundo levantamento da Reuters. No balanço do segundo trimestre, companhias estimaram perdas anuais de US$ 13,6 bilhões a US$ 15,2 bilhões relacionadas às tarifas. Apesar disso, os índices de ações dos EUA seguem em alta, impulsionados pelo otimismo com a inteligência artificial e pela expectativa de cortes de juros; em julho, a inflação ao consumidor subiu levemente.
Histórico de embates
Trump já atacou outros executivos e empresas. Criticou JPMorgan e Bank of America por suposto “debanking” e acusou a Amazon de ato “hostil e político” por planejar mostrar preços ajustados às tarifas — ideia que a empresa não aplicou. Também disse que o Walmart deveria “absorver” as tarifas e pediu a saída do CEO da Intel, Lip Bu-Tan, por ligações com empresas chinesas. O presidente também voltou a criticar Tim Cook, da Apple, por fabricar iPhones fora dos EUA.
Para o gestor David Wagner, da Aptus Capital Advisors, a retórica presidencial contra Wall Street não deve influenciar decisões de investimento. “Como os dados econômicos são complexos, é natural que investidores tenham opiniões divergentes sobre a saúde do consumidor”, afirmou.
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