André Esteves defende diálogo e critica politização em tarifaço de Donald Trump
Em evento do BTG, banqueiro afirma que Brasil deve preservar soberania sem escalar tensões e alerta para riscos econômicos de retaliação contra os EUA
247 – Mesmo diante de um déficit comercial com os Estados Unidos, o Brasil foi alvo do tarifaço anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, acompanhado de “certa politização indevida”. A avaliação foi feita por André Esteves, chairman do BTG Pactual, durante painel sobre o quadro macroeconômico no evento AgroForum 2025, promovido pelo banco e transmitido online. As declarações foram publicadas pelo Valor Econômico.
Segundo Esteves, o Brasil precisa preservar sua soberania, mas sem elevar as tensões diplomáticas e comerciais. “Ter a sua soberania não significa não negociar, não significa escalar as tensões. Qualquer negociador responsável sabe a hora de fazer as coisas e a sociedade não ganha nada com a gente escalando”, afirmou, defendendo uma postura paciente e construtiva.
Mansueto: retaliação aumentaria inflação
O economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida, também participou do debate e destacou que a medida de Trump surpreendeu o Brasil. “No ano passado, o Brasil teve um déficit na balança comercial de US$ 7,4 bilhões com os Estados Unidos. Há dez anos temos déficit comercial com os Estados Unidos e fomos surpreendidos com o aumento de tarifa de 50%”, afirmou.
Ele lembrou que houve recuo parcial no fim de julho, quando um decreto excluiu cerca de 700 itens da tarifa mais pesada. No entanto, Mansueto ponderou que retaliar os Estados Unidos pode sair caro para a economia brasileira. “Se o país pequeno retalia de volta, significa importações muito mais caras, o que impacta a inflação”, explicou, citando a teoria econômica.
O economista estimou que o impacto sobre o PIB brasileiro será pequeno, entre 0,1% e 0,2%, e que, no curto prazo, o efeito sobre a inflação pode ser até de queda, pela maior oferta interna de produtos que antes eram exportados.
Críticas à visão americana e defesa de moderação
Para Esteves, a política comercial dos Estados Unidos é marcada por uma “visão meio mercantilista” que enxerga déficits comerciais como transferência de riqueza para outros países. “Essa visão parece um pouco distorcida da realidade. Os Estados Unidos têm déficits comerciais estruturais desde o início dos anos 70 e, no entanto, ninguém foi mais bem sucedido”, argumentou.
O banqueiro reforçou que, apesar da legitimidade de medidas pontuais para amenizar “dores localizadas” no Brasil, a prioridade deve ser “operar para que as tensões baixem e não que subam”. Ele criticou estratégias de enfrentamento puramente político: “Apesar de parecer que a história do enfrentamento possa render dividendo político, eu não concordo com essa visão. É voo de galinha. A sociedade vai cobrar solucionadores, e não criadores de confusão”.
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