Tarifaço: Alckmin defende ampliar exceções e reduzir impacto sobre empresas
Vice-presidente também aposta em acordo com os EUA e avalia que as duas nações têm condições de firmar um acordo "de ganha-ganha"
247 O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou que a estratégia do governo diante do chamado tarifaço é buscar ampliar a lista de exceções e, assim, reduzir os impactos sobre os setores produtivos. Segundo ele, além de mitigar efeitos imediatos, o Brasil precisa acelerar a abertura de novos mercados para sustentar o crescimento.
“Dos 12% que nós exportamos para os Estados Unidos, 4% estão na tarifa de 50%. Qual o nosso trabalho? E nós estamos fazendo isso permanentemente. É aumentar a exclusão, mais produtos saírem da tarifa. E reduzir essa alíquota. Não tem sentido, se nós temos 2,7% de média de tarifa de importação, ter 50% para entrar nos Estados Unidos", disse Alckmin durante participação em um evento do banco Santander, em São Paulo, de acordo com o UOL.
Alckmin destacou que o agronegócio encontra alternativas mais rapidamente, enquanto a indústria enfrenta barreiras maiores devido à natureza mais customizada de seus produtos. “O setor do agro é mais fácil, se eu não vender carne aqui, eu vendo lá. Produto industrial é mais difícil, é mais customizado, não é tão simples essa busca de mercado. Mas ela é perfeitamente possível”, afirmou.
O vice-presidente também ressaltou a importância da relação com os Estados Unidos. Para ele, as duas nações têm condições de firmar um acordo “de ganha-ganha”, ampliando investimentos bilaterais, superando entraves como a bitributação e avançando em áreas estratégicas, como minerais.
“Estamos falando das duas maiores economias das Américas e as duas maiores democracias do Ocidente. Nós não podemos deixar de jeito nenhum acontecer esse afastamento, e fazer um bom ganha-ganha para a economia crescer mais”, disse.
Ainda de acordo com a reportagem, Alckmin previu que a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil deve ser aprovada nas próximas semanas. Ele criticou a atual configuração da alíquota máxima. “A alíquota máxima de 27,5% deve ser alguém que ganha um milhão, não é? Não, é quem ganha acima de R$ 4.750. Mas é evidente que não é possível você ter alíquota máxima quem ganha R$ 4.750. Então, o que o governo fez? Ele desonera até R$ 5 mil. É isso que eu acho que deve ser aprovado aí nas próximas semanas”, afirmou.
Além disso, ele citou as reformas tributária e administrativa como prioridades até o fim do governo. “Nós temos uma tarefa cotidiana, fazer mais e melhor com menos dinheiro. O ajuste fiscal é uma obra interminável. A reforma administrativa pode ajudar a reduzir custos, melhorar a eficiência, desburocratização. Acho que a reforma administrativa pode avançar”, avaliou.
O vice-presidente também voltou a criticar o patamar elevado da taxa Selic, apontando os prejuízos tanto para empresas e consumidores quanto para o próprio governo. “O juro alto, quem se endividou vai ter problema. Quem precisa de crédito tem receio. E o pior de tudo, a dívida do governo faz isso. Metade da dívida brasileira, R$ 8 trilhões, é selicada [atrelada à Selic]. Cada 1% de Selic custa R$ 48 bilhões por ano para rolar. Só para rolar, não é para abater. Então, é fundamental ter uma política fiscal rigorosa para ter uma política monetária menor”, afirmou.
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