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Ibaneis culpou PT e PSB por fracasso na compra do Banco Master pelo BRB – uma negociata que envolvia propinas milionárias

Ex-governador do GDF se revoltou após BC barrar operação; hoje veio a público a propina paga por Vorcaro para fechar o negócio

Ibaneis Rocha (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 – Uma entrevista concedida pelo ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em setembro do ano passado ao Metrópoles, logo após o Banco Central barrar a venda do Master ao BRB, complica ainda mais a sua situação jurídica. Isso porque ele culpou o PT e o PSB por barrarem uma operação que seria desastrosa para o Distrito Federal, uma vez que, no dia de hoje, com a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, soube-se que Daniel Vorcaro estava pagando propinas milionárias para viabilizar a operação.

A prisão de Paulo Henrique Costa, no âmbito da Operação Compliance Zero, elevou o grau de suspeitas sobre os bastidores da negociação e ampliou o foco das investigações para o ambiente político que cercava o BRB à época – incluindo o governo de Ibaneis Rocha, que era o principal fiador institucional da tentativa de aquisição do Banco Master.

Na entrevista de setembro do ano passado, Ibaneis reagiu de forma agressiva à decisão do Banco Central e afirmou: “Mais uma vez, PT e PSB agiram para contra o DF”. A declaração sugere que, na avaliação do então governador, a autoridade monetária teria sofrido algum tipo de pressão política para impedir o avanço do negócio, que, como hoje se sabe, estava cercado por propinas milionárias.

A fala ocorre em um contexto em que a compra do Banco Master pelo BRB era defendida pelo governo do Distrito Federal como estratégica. Ibaneis argumentava que a operação projetaria o banco regional em nível nacional e poderia gerar dividendos bilionários para os cofres públicos, uma vez que o GDF é o acionista majoritário da instituição.

Críticas ao Banco Central e embate político

A decisão do Banco Central de barrar a operação ocorreu cerca de seis meses após o anúncio do contrato e em meio a uma crescente tensão institucional. Na véspera, líderes de seis partidos haviam apoiado um pedido de urgência para um projeto que autorizaria o Congresso Nacional a demitir diretores e o presidente do BC em casos de atuação considerada “incompatível com interesses nacionais”.

Naquele momento, integrantes do PT e do PSB já se posicionavam contra a aquisição do Banco Master pelo BRB. Ao mencionar essas siglas, Ibaneis também fazia referência indireta a seus antecessores no governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB), ampliando o tom político da crítica.

Revelações recentes agravam cenárioO conteúdo da entrevista ganha nova dimensão diante dos fatos revelados nesta semana. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, aponta que mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro evidenciam forte alinhamento estratégico, além de negociações paralelas envolvendo vantagens indevidas, inclusive com discussões sobre imóveis de luxo avaliados em R$ 145 milhões.

As investigações indicam que Vorcaro teria pago propinas milionárias para viabilizar operações de interesse no BRB, o que levanta questionamentos sobre o ambiente em que a tentativa de compra do Banco Master foi articulada e defendida politicamente.

Contradições e implicações políticasNesse cenário, a declaração de Ibaneis – ao culpar PT e PSB pela interrupção do negócio – passa a ser confrontada com os elementos que emergem das investigações. O que antes era apresentado como uma disputa política agora revela indícios de irregularidades profundas que podem ter contaminado a operação desde sua origem. E Ibaneis Rocha passa a ser naturalmente suspeito de estar comandando a operação, ao lado de Paulo Henrique Costa.

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