Acordo de chips com a China expõe “extorsão econômica” dos EUA e ameaça à concorrência, alerta especialista
Secretário do Tesouro Scott Bessent elogia modelo que obriga Nvidia e AMD a repassar 15% das receitas ao governo dos EUA, prática considerada ilegal
247 – O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, elogiou um polêmico acordo que autoriza as gigantes norte-americanas Nvidia e Advanced Micro Devices (AMD) a vender chips de inteligência artificial de menor desempenho para a China, com a condição de que 15% da receita obtida seja repassada ao governo norte-americano. As declarações foram dadas em entrevista à Bloomberg na última quarta-feira (13) e repercutiram no Global Times, que destacou críticas de especialistas chineses à medida.
Bessent afirmou que o arranjo “poderia servir como modelo para outros setores” e que, após essa “fase beta”, nada impediria sua expansão para diferentes áreas da economia. Segundo a Bloomberg, trata-se de um “acordo incomum e juridicamente questionável”, que revela a disposição do governo do presidente Donald Trump em flexibilizar controles de exportação em troca de compensações financeiras.
Críticas à “coerção financeira” e riscos ao comércio global
Para o especialista chinês em telecomunicações Xiang Ligang, ouvido pelo Global Times, a medida é “uma forma de coerção financeira” que prejudica empresas norte-americanas e afeta a confiança no mercado. “Essa prática sinaliza uma tentativa crescente de instrumentalizar e politizar ferramentas econômicas para manter a hegemonia no setor de alta tecnologia”, afirmou.
Xiang alertou que, caso esse modelo de compartilhamento de receitas se torne comum, empresas chinesas podem enfrentar custos mais altos ou menor acesso a tecnologias importadas. Isso, segundo ele, poderia acelerar a substituição por alternativas domésticas, impulsionando a inovação local, mas também causando disrupções na cadeia de suprimentos no curto prazo.
Impacto sobre Nvidia e segurança dos chips
As críticas também se intensificaram após a Administração do Ciberespaço da China convocar a Nvidia para discutir supostos riscos de segurança ligados a vulnerabilidades no chip H20, apontadas como “portas dos fundos” (backdoors). A estatal People’s Daily publicou recentemente um artigo questionando a credibilidade da empresa: “Como podemos confiar em você, Nvidia?”.
Para Xiang, a credibilidade da Nvidia no mercado chinês já está comprometida. “Quando os chips H20 fornecidos pelos EUA apresentam desempenho reduzido, fornecimento instável e potenciais riscos de segurança, é natural que as empresas chinesas optem por alternativas nacionais que atendam melhor às necessidades de mercado e segurança”, disse.
Posição oficial da China
Questionado sobre o acordo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, reiterou que a posição da China “é consistente e clara” contra a politização e o uso da tecnologia e do comércio como armas. “Práticas assim desestabilizam as cadeias industriais e de suprimentos globais e não atendem ao interesse de ninguém”, afirmou.
Xiang concluiu que, para empresas norte-americanas como a Nvidia prosperarem na China, é essencial que o governo dos EUA ofereça políticas estáveis e consistentes, em vez de impor regras mutáveis e interferência política. O sucesso de companhias como Microsoft, Intel e Qualcomm no país seria prova de que a cooperação aberta e respeitosa pode gerar benefícios mútuos.
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