HOME > Entrevistas

Pepe Escobar explica o "Zugzwang" e o atoleiro de Trump na guerra contra o Irã

Analista geopolítico avalia os impactos da derrota estratégica dos Estados Unidos no conflito

Pepe Escobar explica o "Zugzwang" e o atoleiro de Trump na guerra contra o Irã (Foto: Brasil 247)

247 – O analista geopolítico Pepe Escobar afirmou, em entrevista a Leonardo Attuch na TV 247, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está preso em um “zugzwang” diante do Irã — uma situação em que qualquer movimento pode agravar ainda mais sua derrota estratégica. Segundo Escobar, Trump entrou no conflito com o objetivo de destruir o Irã, mas fracassou. “O job [trabalho] dele, um dos jobs principais era destruir o Irã, sem dúvida. E não conseguiu”, afirmou.

O que é zugzwang

Escobar explicou que “zugzwang” é um termo do xadrez usado para descrever uma posição em que o jogador é obrigado a se mover, mas qualquer jogada piora sua situação.

“Zugzwang é qualquer movimento que você faça, você continua encalacrado. Ele tá no maior zugzwang do século XXI. O que ele fizer, ele continua encalacrado”, disse.

Para o analista, essa é a posição de Trump diante do Irã: se recuar, admite a derrota; se atacar novamente, pode provocar uma resposta iraniana devastadora e uma escalada global.

Trump em Zugzwang

Nova ofensiva pode ampliar crise

Escobar afirmou que Washington avalia novas ações militares contra Teerã, inclusive ataques à infraestrutura civil iraniana. Segundo ele, esse caminho pode gerar uma resposta sem limites.

“Se eles atacarem de novo, vai ser muito pior, porque a resposta do Irã dessa vez não vai ter limite”, declarou.

Na avaliação do analista, o Irã já demonstrou capacidade de impor custos elevados aos Estados Unidos e a seus aliados no Oeste da Ásia.

Rússia e China entram no cálculo

Pepe Escobar também destacou a aproximação entre Irã, Rússia e China. Segundo ele, a crise reforçou o eixo estratégico entre Teerã, Moscou e Pequim.

“Esta guerra é uma guerra contra os BRICS, é uma guerra contra o Sul Global e é uma guerra contra a formação do mundo multipolar”, afirmou.

Para Escobar, a Rússia deixou claro que não aceitará uma nova ofensiva contra o Irã sem consequências. Já a China acompanha a crise com discrição, mas entende que o conflito faz parte da tentativa dos Estados Unidos de conter o avanço da ordem multipolar.

Ormuz e a economia global

O analista ressaltou que o Estreito de Ormuz está no centro da crise. Uma escalada militar poderia afetar diretamente o preço do petróleo, os mercados financeiros e a economia global.

Segundo Escobar, Trump subestimou a importância geopolítica de Ormuz e entrou em uma guerra sem compreender plenamente suas consequências.

Derrota estratégica dos Estados Unidos

Escobar afirmou que uma nova ofensiva não resolveria o impasse de Trump. Ao contrário, poderia aprofundar a crise da hegemonia estadunidense.

“Qual o que você pode ganhar geopoliticamente, militarmente com uma decisão absurda dessa? Nada. Piora a sua situação”, afirmou.

Para o analista, o atoleiro de Trump no Irã se soma à derrota estratégica dos Estados Unidos na Ucrânia e acelera a transição para um mundo multipolar.

Artigos Relacionados