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Maior pressão sobre os juros vem da guerra, não do fiscal, diz Durigan

Ministro da Fazenda afirma que novo Desenrola terá impacto limitado na política monetária e defende manutenção da meta de inflação em 3%

Prédio do Banco Central em Brasília 11/06/2024 REUTERS/Adriano Machado

247 – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (4) que a principal pressão atual sobre a política monetária brasileira não vem da área fiscal, mas da guerra no Oriente Médio. A declaração foi dada em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, e publicada pelo Valor Econômico.

"O que pressiona a política monetária hoje não é o fiscal, é a guerra", disse Durigan. Segundo ele, embora o debate sobre juros altos no Brasil tenha relação histórica com a questão fiscal, esse fator hoje pesa menos porque as contas públicas vêm apresentando melhora.

Durigan também rejeitou a avaliação de que o novo Desenrola Brasil, anunciado oficialmente pelo governo, possa prejudicar a condução da política monetária pelo Banco Central. "Não acho que o novo Desenrola vai ter impacto a ponto de atrapalhar a política monetária. Impacto parece circunscrito nesse caso", afirmou.

O ministro defendeu que as medidas de crédito adotadas pelo governo são pontuais e voltadas a setores específicos afetados por choques externos, como o conflito no Oriente Médio, e por problemas climáticos. Ele citou a linha para caminhões e iniciativas ligadas à reforma de moradias do Minha Casa, Minha Vida.

"Eu discordo da avaliação de que há muito estímulo à economia. Estamos vivendo momento de desarranjo da economia mundial e temos tratado com setores específicos", declarou.

Arcabouço fiscal e despesas obrigatórias

Durigan reconheceu a necessidade de novas medidas pelo lado da despesa, mas lembrou que algumas propostas enfrentam resistência no Congresso, como mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O ministro também afirmou que não há tabus na equipe econômica para discutir, no futuro, os pisos orçamentários de saúde e educação, a política de valorização do salário mínimo e o crescimento do Fundo Constitucional do Distrito Federal. Segundo ele, o arcabouço fiscal é uma regra que veio para ficar, embora seus parâmetros possam ser debatidos adiante.

Meta de inflação deve ser mantida em 3%

Sobre a meta de inflação, Durigan defendeu aperfeiçoamentos no modelo, mas rejeitou alterar o centro da meta contínua de 3% ao ano.

"Eu tenho dificuldade com a mudança da meta de inflação", afirmou. "Eu acho que esse modelo poderia ser aperfeiçoado, mas sem mexer na meta de 3%."

Segundo o ministro, o debate mais relevante é como o Brasil pode crescer e distribuir renda mantendo a inflação sob controle.

Taxa das blusinhas e Correios

Durigan também disse que ainda não há decisão do presidente Lula sobre eventual revogação da chamada “taxa das blusinhas”, aplicada a importações abaixo de US$ 50. "Eu confesso que a gente não teve uma discussão e uma resposta definitiva do presidente [Lula] sobre esse tema", afirmou.

Na entrevista, o ministro ainda informou que os Correios registraram resultado negativo de R$ 4 bilhões e que o déficit pode chegar a R$ 10 bilhões em 2026. Ele defendeu uma reestruturação da estatal, com flexibilizações no modelo de negócios e possibilidade de parcerias.

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