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Durigan diz que BRB é problema do GDF e não do governo federal

Ministro da Fazenda afasta socorro do Tesouro e atribui responsabilidade inicial pelo caso Master à gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central

Ministro Dario Durigan (Foto: Washington Costa/MF)

247 – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a crise bilionária do Banco de Brasília (BRB), provocada por operações fraudulentas com o Banco Master, é responsabilidade do Governo do Distrito Federal (GDF), e não do governo federal.

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, segundo o jornal O Globo, Durigan disse que não cabe ao Tesouro Nacional usar recursos públicos para salvar bancos, salvo em caso de risco sistêmico reconhecido pelo Banco Central.

"A minha posição sobre isso é bem clara. O problema do BRB é um problema do GDF. Eu não estou dizendo que a União em algum momento não pode entrar, mas é um problema do GDF, a gente não pode esquecer isso. O BRB fez algumas operações, que estão nos jornais, que quebraram o banco", afirmou.

O ministro afastou a ideia de um socorro automático da União ao BRB, banco estatal controlado pelo Distrito Federal, que busca alternativas para recompor seu balanço após prejuízos bilionários ligados ao Banco Master.

"Se não tiver risco sistêmico, se for uma questão de banco com dificuldade, existem os mecanismos para lidar com isso. E aí não tem que se falar em intervenção especial, ajuda do Tesouro, não tem que se falar nisso", disse Durigan.

Segundo ele, a única hipótese em que o governo federal poderia cogitar alguma forma de atuação seria a existência de risco sistêmico, isto é, uma ameaça de contaminação do sistema financeiro como um todo.

"Não posso pegar dinheiro público para cobrir um rombo que foi feito com um caso que dizer que é mal-explicado é o mínimo", afirmou.

Durigan também criticou a tentativa do GDF de transferir o problema para a esfera federal. Para ele, há alternativas que passam pelo próprio Fundo Constitucional do Distrito Federal, abastecido com recursos da União.

Ao ser questionado pela repórter Thaís Barcellos, de O Globo, sobre como isso poderia ocorrer, respondeu: "Como o Fundo Constitucional do GDF garantir a operação, se for o caso."

Responsabilidade de Campos Neto

Durigan também classificou o caso Banco Master como extremamente grave e repetiu avaliação do ministro Fernando Haddad de que se trata do "maior escândalo financeiro do nosso sistema financeiro".

O ministro atribuiu a "responsabilidade primordial" à gestão anterior do Banco Central, comandada por Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Acho que a responsabilidade primordial, pode ter outras, é de quem acompanhou esse processo no Banco Central, da autorização até as últimas aprovações de aquisição de bancos, que foi de 2019 a 2024, na gestão do presidente do BC anterior", declarou.

A fala contrasta com declaração anterior do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que disse em comissão do Congresso que uma sindicância interna do BC não encontrou indícios de favorecimento de Campos Neto ao Banco Master ou ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Durigan defendeu que as leis sejam aplicadas com rigor no caso e lamentou o impacto financeiro sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir clientes do Master.

Segundo ele, o dinheiro do FGC é, em última instância, "dinheiro do sistema financeiro, dos próprios poupadores".

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