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Vorcaro tentou ocultar rombo de R$ 777 milhões no Master, diz liquidante

Documentos apontam uso de fundos e empresas ligados à família do banqueiro para mascarar perdas, financiar luxo e dificultar rastreamento de recursos

Vorcaro tentou ocultar rombo de R$ 777 milhões no Master, diz liquidante (Foto: Reprodução)

247 – Documentos internos do Banco Master apontam que Daniel Vorcaro e familiares teriam realizado uma complexa operação financeira para tentar encobrir um rombo de R$ 776,9 milhões às vésperas da liquidação da instituição, em meio ao avanço das apurações da Polícia Federal e do Banco Central.

As informações foram reveladas pelo jornal O Globo, com base em documentos da liquidante do Banco Master. Segundo a apuração, os recursos teriam sido repassados a uma rede de empresas e fundos ligados à família Vorcaro, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro e ocultar patrimônio.

De acordo com a liquidante, a operação teria começado em 2022, quando um fundo de investimento ligado ao Master, chamado City, comprou recebíveis de empresas da família Vorcaro. Esses recebíveis são títulos que representam valores a receber no futuro.

Na prática, o fundo City repassou R$ 419,9 milhões a empresas familiares em troca da promessa de receber R$ 798 milhões nos anos seguintes. A liquidante, no entanto, afirma haver fortes indícios de que os créditos eram “podres”, sem lastro real ou baixa chance de pagamento.

O caso ganhou novo desdobramento em 2025, quando o fundo City registrou perdas expressivas. Em março, admitiu perda de 61,25% do patrimônio. Em junho, a provisão para devedores duvidosos chegou a R$ 714,9 milhões.

Segundo a ação, meses antes da liquidação do Master, o fundo City vendeu o pacote de recebíveis por R$ 776,9 milhões para a Navarra S.A. A liquidante sustenta que a empresa não era uma compradora independente de mercado, mas estaria ligada ao próprio Daniel Vorcaro por meio dos fundos Lunar e Astralo 95.

Para a liquidante, a operação teria servido para mascarar a dívida da família na contabilidade do Master e do fundo City. Semanas depois, a administradora do fundo comunicou ao mercado que os ativos eram praticamente irrecuperáveis, com queda de 99,98% no valor das cotas.

A suspeita das autoridades é que parte dos recursos tenha financiado uma vida de alto luxo, incluindo uma mansão de US$ 35 milhões em Windermere, na Flórida, além de jatinhos e outros bens.

A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que acolheu pedido de protesto dos bens de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e Natália Vorcaro, irmã de Daniel, afirmou: “Os indícios apresentados corroboram a tese de que os Requeridos, familiares próximos do ex-controlador, possam ter atuado de forma consorciada para a canalização, desvio e ocultação de recursos bilionários”.

A defesa de Henrique e Natália nega irregularidades. Em nota, afirmou: “Não há qualquer ato ilícito atribuível à família, que sequer tem conhecimento destes fundos mencionados, os quais tem tomado ciência apenas após tais inquinações”.

Os advogados também disseram que os negócios citados foram lucrativos para o Banco Master. “As novas ‘suspeitas’ não se sustentam! O que há é pura distorção da realidade, com finalidades não republicanas”, diz outro trecho da nota.

As investigações também apontam que o fundo Astralo teria financiado outros bens ligados a Daniel Vorcaro, como um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília, um jatinho de R$ 538 milhões e aportes milionários na SAF do Atlético Mineiro.

A Polícia Federal ainda apura se parte dos recursos foi usada para pagamentos de propina a fiscais do Banco Central e para financiar uma milícia privada chamada “A Turma”, acusada de ameaçar e agredir jornalistas que investigavam fraudes ligadas ao banco.

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