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Após reunião com Bessent, ministro da Fazenda vê acordo entre Brasil e EUA dentro do prazo

Dario Durigan se reuniu com o secretário do Tesouro dos EUA durante encontro de ministros do G7 para discutir tarifas, Pix e segurança aduaneira

Ministro Dario Durigan (Foto: Washington Costa/MF)
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247 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (19) estar “confiante” de que Brasil e Estados Unidos chegarão a um acordo dentro do prazo de 30 dias definido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump para discutir tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado estadunidense. As informações são da RFI

Durigan se reuniu com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, durante os encontros ministeriais do G7, realizados na capital francesa. A negociação ocorre em meio às tentativas de evitar um novo tarifaço estadunidense sobre as exportações brasileiras. Segundo o ministro, o encontro ocorreu em tom construtivo e demonstrou disposição dos dois governos para avançar nas tratativas bilaterais.

“Eu disse para ele que gostaria que a gente avançasse nos acordos bilaterais. Ele mesmo se colocou à disposição e falou: ‘Olha, se a gente precisar, enquanto ministros da Fazenda, entrar no jogo para ajudar na negociação, nós dois estaremos à disposição. Então foi uma reunião muito fluida, muito boa e bem consensual, eu diria’”, afirmou Durigan.

“A gente não entrou em detalhes. Mas ele disse: ‘vocês seguem confiantes no prazo de 30 dias, determinado pelos dois presidentes?’ Eu disse que sim”, destacou. 

Negociação inclui Pix e segurança

Além das tarifas comerciais, as negociações entre Brasil e Estados Unidos envolvem temas considerados estratégicos, como a investigação estadunidense sobre o sistema de pagamentos Pix.

Durigan afirmou que os detalhes técnicos continuam sendo conduzidos pelas equipes comerciais dos dois países, mas destacou que os ministros da Fazenda poderão atuar diretamente para acelerar um entendimento. 

Os dois governos também discutiram ações conjuntas na área de segurança, com foco no combate ao crime organizado e operações integradas nas aduanas brasileiras e norte-estadunidenses.

Brasil avalia cenário energético como favorável

Outro tema central das reuniões do G7 foi o impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo. O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã elevou preocupações globais sobre combustíveis e inflação.

Durigan afirmou que o Brasil está em posição privilegiada diante da crise por ser exportador líquido de petróleo bruto. Segundo ele, o governo vem utilizando o aumento de arrecadação do setor para reduzir impactos econômicos sobre a população.

“O que tem entrado a mais de receita em razão do Brasil ser exportador líquido de óleo cru, a gente tem direcionado para mitigar o impacto para os caminhoneiros, para as famílias que têm que comprar comida, e para ajudar os Estados a garantir escoamento de safra e outras atividades econômicas importantes”, declarou.

O ministro ressaltou que medidas de subsídio e desoneração sobre combustíveis continuarão sendo avaliadas periodicamente, de acordo com a evolução da crise internacional. “Essas medidas todas têm que ser adotadas com cuidado para não prejudicar a situação fiscal do país”, disse.

Minerais críticos entram na pauta global

Os ministros do G7 também discutiram a ampliação da aliança internacional de minerais críticos, considerada estratégica para a transição energética e a economia digital.

O Brasil, que possui algumas das maiores reservas mundiais desses minerais, foi apontado como peça-chave no setor. Durigan afirmou que o país está aberto ao diálogo, mas defenderá soberania e industrialização nacional.

“Nós estamos à disposição para abrir um diálogo, mas nós temos as nossas exigências, as nossas condições como país soberano”, declarou. Segundo o ministro, há forte interesse internacional em investimentos no Brasil voltados à exploração de minerais críticos. “Os países do G7 são os países mais ricos do mundo e têm interesse enorme por minerais críticos”, concluiu.

G7 amplia pressão sobre Rússia

Ao final das reuniões em Paris, os ministros das Finanças do G7 reforçaram a intenção de ampliar a pressão econômica sobre a Rússia, especialmente sobre as exportações de petróleo do país.

O ministro francês da Economia, Roland Lescure, afirmou que o grupo pretende impedir que Moscou obtenha vantagens econômicas diante da guerra no Oriente Médio. “Quero deixar bem claro que a Rússia não pode se beneficiar da guerra no Oriente Médio. Isso não é uma opção”, afirmou.

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