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Rogério Correia: ação dos Estados Unidos contra a Venezuela foi um ato terrorista

Deputado critica silêncio de setores do centro e cobra reação imediata do Congresso e das instituições democráticas brasileiras

O deputado federal Rogério Correia - 06/10/2025 (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

247 – O deputado federal Rogério Correia classificou como “muito sério” e “inadmissível” o que chamou de ação dos Estados Unidos contra a Venezuela, afirmando que o episódio ultrapassa qualquer limite diplomático e deve ser tratado como uma agressão direta à soberania de um país. Para ele, não se trata de um fato isolado, nem de uma disputa comum entre governos, mas de um ato que coloca em risco a estabilidade internacional e ameaça a própria ideia de autodeterminação das nações.

As declarações foram feitas em vídeo publicado no YouTube, no qual o parlamentar fez um apelo por solidariedade global e por uma reação firme das instituições brasileiras. Segundo Rogério Correia, a mobilização internacional já começou e precisa crescer, porque “não é a solidariedade ao governo Maduro”, e sim “a solidariedade à soberania de um país”.

“Não é um fato qualquer. Não se pode passar pano”

Rogério Correia afirmou que a ofensiva do governo Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — não pode ser naturalizada ou relativizada. “É muito sério a atitude que o governo Donald Trump dos Estados Unidos fez em relação a Venezuela. Não é um fato qualquer. Não se pode passar pano”, disse ele, ao alertar que o episódio exige resposta política e diplomática.

Na avaliação do parlamentar, Trump vem demonstrando uma escalada agressiva de postura internacional e de ameaça a países e territórios. Ele citou declarações anteriores do presidente dos EUA envolvendo anexações e intervenções: “Donald Trump já havia ameaçado anexar a Groenlândia, anexar o Canadá, o canal do Panamá. Já ameaçou Cuba, já fez intervenção em Gaza e agora fala em fazer intervenção também no Irã”.

“Foi um sequestro”

O deputado foi direto ao afirmar que o que ocorreu com a Venezuela não pode ser descrito como operação política legítima. “É muito sério o que aconteceu hoje. Foi um sequestro”, afirmou. Em seguida, reforçou sua denúncia com uma crítica contundente ao que chamou de chantagem explícita: “simplesmente vai a outro país, apodera-se do seu presidente e depois dá uma entrevista em rede internacional dizendo que o resgate que ele pretende é o petróleo e a soberania da Venezuela”.

Para Rogério Correia, esse tipo de ação configura uma ameaça não apenas à Venezuela, mas a qualquer país que busque exercer soberania sobre seus recursos naturais. “Todos nós corremos risco com isso”, declarou, ao sugerir que a lógica de intervenção pode atingir outras nações, inclusive o Brasil.

Crítica à extrema direita e ao “silêncio” do centro

O parlamentar também direcionou críticas ao comportamento de lideranças da extrema direita brasileira, que, segundo ele, estariam apoiando a ofensiva contra a Venezuela. “Aqui no Brasil é de entristecer, ver o papel da extremo direita e o silêncio de setores também do chamado central”, afirmou.

Ele denunciou o que chamou de celebração do ataque como se fosse uma ação libertadora: “A extrema direita simplesmente está batendo palma, dizendo que isso é a liberdade da Venezuela. Imagina um país atacado, um presidente sequestrado e eles chamam hoje de liberdade”.

Rogério Correia citou nominalmente governadores e lideranças políticas que, segundo ele, têm alimentado esse discurso: “Zema, Ratinho, Tarcísio, todos os governadores que querem agora o lugar do presidiário Jair Bolsonaro, alardeando esta vantagem”.

Alerta sobre ameaças ao presidente Lula e “ideia de golpe continuado”

Além de denunciar o ataque à Venezuela, Rogério Correia afirmou que a extrema direita tenta usar o episódio como instrumento político interno, criando um ambiente de intimidação e instabilidade. Segundo ele, há setores que insinuam que o Brasil poderia seguir o mesmo caminho, num tipo de ameaça indireta ao presidente Lula. “Pior, dizendo que o Brasil corre o mesmo risco, como se fizessem ameaça ao presidente Lula”, declarou.

Na sequência, o deputado apontou o que considera uma estratégia permanente de ruptura democrática: “Ou seja, querem agora trabalhar com a ideia de golpe continuado como um processo externo que possa vir pro Brasil”.

Ele citou o deputado Nikolas Ferreira como exemplo do que considera comportamento ameaçador: “Esse Nicolas Ferreira aqui de Minas é um que faz ameaças. Impressionante o desrespeito que se tem ao processo democrático e as pessoas”.

Cobrança por posicionamento do Congresso e das instituições

Rogério Correia também fez um apelo para que o Estado brasileiro reaja institucionalmente, cobrando posicionamentos formais e imediatos. “Isso não pode haver silêncio. Quero saber o posicionamento das nossas instituições democráticas”, afirmou.

Ele defendeu que o Congresso Nacional emita uma nota de repúdio, tanto pela Câmara quanto pelo Senado: “É preciso que o Congresso Nacional se manifeste, solte uma nota, tanto a Câmara como o Senado, repudiando este ato covarde de sequestro, porque foi isto que de fato aconteceu”.

Mobilização internacional e alerta histórico

O deputado afirmou que manifestações populares e iniciativas internacionais já começaram e que o Brasil deve integrar esse movimento de resistência a intervenções externas. “No mundo inteiro, a solidariedade já se inicia, manifestações populares e nós vamos fazê-las também no Brasil”, declarou.

Em um trecho final, Rogério Correia fez uma comparação histórica para alertar sobre o risco de escalada global caso não haja recuo dos Estados Unidos: “A gente espera que de fato haja uma solidariedade mundial e que Trump tenha que recuar, porque se não recuar agora, fará como Hitler fez depois de invadir a Polônia, não vai querer parar”.

Soberania e democracia no centro do debate

Ao sustentar que não houve qualquer levante interno na Venezuela, Rogério Correia enfatizou que a justificativa de “libertação” seria uma distorção. “No caso da Venezuela, não houve nenhum levante, nem mesmo tentativa de um golpe interno. O que houve foi um sequestro”, disse.

Para ele, o episódio representa uma violação gravíssima do direito internacional e um ataque frontal ao princípio de que cada país deve decidir seu próprio caminho político: “A soberania e a democracia tem que ser construída por cada país”.

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