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Em proposta de delação, Vorcaro diz ter pago US$ 30 milhões a Alcolumbre

Segundo a revista Veja, o ex-banqueiro afirma que valor teria sido depositado em conta no exterior; proposta de delação também cita membros do PT na Bahia

David Alcolumbre e Daniel Vorcaro (Foto: Agência Senado I Reprodução)
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247 - O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo com as recentes revelações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso há cerca de três meses e em negociação para firmar um acordo de delação premiada. Segundo a revista Veja, a proposta cita supostas relações entre o ex-controlador da instituição financeira e figuras de destaque da política nacional e do Judiciário.

A proposta de colaboração, porém, foi rejeitada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (11). A justificativa foi de que o depoimento do ex-controlador do Banco Master não trouxe novidades à investigação nem indicou outros envolvidos nos crimes investigados.

Acusação envolve Davi Alcolumbre

De acordo com a reportagem, um dos relatos apresentados pelo ex-banqueiro envolve o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo Vorcaro, teria sido realizado um pagamento de 30 milhões de dólares ao parlamentar, o equivalente a cerca de R$ 155 milhões. O ex-controlador do Banco Master afirma que o valor teria sido depositado em uma conta no exterior em troca de apoio a interesses da instituição financeira.

A operação, ainda de acordo com o relato, teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. As alegações integram parte da proposta de colaboração apresentada às autoridades, mas ainda dependem de comprovação.

Alcolumbre nega qualquer participação em irregularidades relacionadas ao caso.

Relação com governos do PT na Bahia

Outro eixo das revelações envolve a atuação do Banco Master na Bahia durante os governos do PT. Ainda conforme a reportagem, Vorcaro citou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, ao abordar a expansão das operações da instituição no estado.

Segundo o relato, a origem da relação remonta a 2007, durante a gestão do então governador Jaques Wagner, quando foi criado o programa Cesta do Povo. Posteriormente, a iniciativa evoluiu para o CredCesta, que se tornou uma das principais operações de crédito consignado para servidores estaduais.

A reportagem destaca que, em 2022, já sob o governo de Rui Costa, um decreto estadual restringiu a portabilidade dessas operações para outras instituições financeiras. Na avaliação de Vorcaro, a medida fortaleceu a presença do Banco Master no mercado baiano.

O ministro também nega qualquer irregularidade.

Judiciário também aparece nos relatos

As declarações do ex-banqueiro não se limitam ao meio político. Segundo a Veja, Vorcaro também mencionou integrantes do Judiciário que teriam recebido pagamentos milionários ou atuado em favor dos interesses do Banco Master em momentos decisivos para a instituição.

Um dos relatos menciona um suposto pagamento de R$ 15 milhões efetuado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pelas investigações como operador financeiro de transações consideradas ilegais.

O ex-banqueiro também teria prometido detalhar a atuação de outro integrante do Judiciário que, segundo ele, atuou em defesa dos interesses do banco quando a instituição enfrentava risco de liquidação pelo Banco Central.

Impasse sobre a delação premiada

As revelações surgiram em meio às negociações para um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. As duas primeiras propostas apresentadas pela defesa foram rejeitadas pelos investigadores, que consideraram as informações insuficientes ou sem elementos novos relevantes para o avanço das apurações.

Os advogados de Vorcaro sustentam, porém, que algumas denúncias teriam sido descartadas sem análise adequada e afirmam possuir provas para sustentar os relatos apresentados.

STF acompanha o caso

Relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça não comentou especificamente as acusações. Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, o magistrado tem defendido que as investigações sejam conduzidas com "independência, imparcialidade e de forma não seletiva". A defesa de Vorcaro afirma ter levado ao Supremo questionamentos sobre a condução das negociações para a delação premiada.

Considerado um dos maiores escândalos financeiros do país, o caso Banco Master envolve um prejuízo estimado em mais de R$ 50 bilhões. As investigações já revelaram relações da instituição com diferentes agentes públicos e autoridades políticas, mas especialistas ressaltam que os relatos apresentados em acordos de colaboração precisam ser acompanhados de provas para produzir efeitos judiciais.

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