Correia cobra CPMI por possível elo entre fintech investigada por ligação com PCC e filme sobre Bolsonaro
Deputado aponta gravidade de transações envolvendo Gold Style, ligada à principal facção criminosa do Brasil, e repasses ao longa Dark Horse. Vídeo
247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) cobrou a instalação da CPMI do Dark Horse após a revelação de transações envolvendo o fundo Gold Style, uma fintech apontada como "banco paralelo" do Primeiro Comando da Capital (PCC), e a empresa ligada a repasses para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
"Vai dar cadeia, queda na pesquisa e não adianta fazer censura de instituto de pesquisa. Filme ligado a organização criminosa que eles chamam de terroristas. O que tem que ser feito é a CPMI Dark Horse", afirmou Correia.
O caso envolve o Gold Style Fundo de Investimento em Direito Creditório, administrado pela Reag Trust. Segundo a Folha de S.Paulo, a gestora aparece em investigações da Polícia Federal sobre a engrenagem financeira montada pelo Banco Master para fraudar carteiras de crédito e inflar ativos.
O Banco Central liquidou o Master em novembro, e a Reag Trust, em janeiro. Segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entre as movimentações identificadas estão transações entre o fundo com a BK Bank, fintech investigada na Operação Carbono Oculto.
A apuração conduzida pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo investiga a infiltração do PCC no mercado financeiro por meio de empresas e instituições que teriam facilitado a circulação de recursos sem transparência.
Os registros analisados indicam transferências de R$ 133,6 milhões da BK Bank para o Gold Style em 2023, além de outras operações realizadas em 2024 e 2025 que somam R$ 12,9 milhões. No total, as movimentações entre as duas instituições alcançam pelo menos R$ 146,5 milhões.
Banco Master financiou filme sobre Jair Bolsonaro
A produção de Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, entrou no centro da controvérsia depois que vieram à tona informações sobre negociações financeiras conduzidas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele tratou diretamente com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de um financiamento de R$ 134 milhões para investir no filme. Desse total, ao menos R$ 61 milhões seguiram para a estrutura ligada à produção.
Vorcaro está preso e negocia delação premiada após a Operação Compliance Zero. A PF (Polícia Federal) investiga um esquema de fraudes financeiras que, segundo a corporação, movimentou pelo menos R$ 12 bilhões. A polêmica ganhou novo capítulo nesta terça-feira (9), quando documentos revelados pelo Intercept Brasil apontaram que Vorcaro participou de uma operação financeira para enviar recursos aos Estados Unidos destinados ao financiamento de Dark Horse. Outro ponto sensível envolve a compra de um imóvel milionário no Texas.
Um fundo ligado a Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, adquiriu uma casa avaliada em R$ 3,6 milhões em Arlington. O imóvel entrou para o patrimônio do Mercury Legacy Trust, fundo privado de gestão patrimonial usado para administrar bens em nome de terceiros. Calixto também administra o Havengate Development Fund, estrutura que recebeu parte dos R$ 61 milhões enviados por Vorcaro em 2025.
Mais detalhes do fundo
Dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostraram que o Gold Style surgiu em abril de 2020, com aporte inicial de R$ 480,1 milhões, segundo a Folha de S.Paulo. Em maio de 2024, o patrimônio líquido do fundo chegou a R$ 1,84 bilhão. Nos registros do órgão regulador, o fundo aparece como "em funcionamento normal".
Ainda de acordo com a reportagem, os documentos públicos não permitem identificar os donos nem os beneficiários do Gold Style. Segundo a Polícia Federal (PF), estruturas desse tipo de investimento e circulação de recursos figuraram entre os mecanismos usados por Reag e Master em operações voltadas a fraudes e à ampliação artificial de ativos. O fundo também apareceu em operações com debêntures privadas nas quais a Reag atuou como emissora, escrituradora ou agente fiduciário.
Conforme comunicação da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, ao Coaf, 11 debêntures somaram R$ 3,6 bilhões. Esses papéis representam títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos e gerar direitos de crédito a investidores. Como todas as debêntures listadas no relatório financeiro são privadas e sigilosas, não há identificação pública dos responsáveis pelas movimentações.
Pesquisa Quaest
A fala de Rogério Correia também fez referência ao impacto político do caso. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) apontou o presidente Lula com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que registrou 38%.
Entre os eleitores independentes, o levantamento indicou vantagem de 13 pontos para o presidente Lula em relação ao senador da extrema-direita. Correia associou a repercussão das suspeitas ao cenário eleitoral e à necessidade de investigação sobre o financiamento do filme.
Facções criminosas
Na publicação, o deputado também lembrou que os EUA classificaram as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. No Brasil, lideranças progressistas afirmam que essa decisão busca abrir caminho para sanções contra o governo brasileiro em meio às condenações ligadas a investigações sobre ações golpistas.
O governo Donald Trump representa a extrema-direita estadunidense e mantém aliança política com a família Bolsonaro. No começo do mês, a gestão trumpista anunciou a intenção de aplicar uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros e criticou o Pix, sem apresentar provas, ao acusar o Brasil de adotar práticas desleais no comércio. O governo Lula negocia para evitar a aplicação da medida.
O caso também se conecta à atuação de Eduardo Bolsonaro em território estadunidense. O STF julgará o ex-parlamentar em 16 de junho por coação judicial. Ele mora nos EUA e responde à acusação de articular ações para interferir em processos judiciais brasileiros e favorecer condenados por ações golpistas. O STF condenou 29 pessoas no inquérito da trama golpista e determinou mais de 1,4 mil condenações na investigação sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.



