HOME > Brasília

Janela partidária muda composição da Câmara

Troca de partidos por deputados fortalece o PL e enfraquece o União Brasil às vésperas das eleições

Plenário da Câmara dos Deputados - 16/12/2025 (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

247 - A poucos dias do encerramento da janela partidária, a Câmara dos Deputados vive uma reconfiguração significativa, com quase um em cada quatro parlamentares tendo trocado de legenda desde o início da atual legislatura. O movimento altera o equilíbrio entre as bancadas e influencia diretamente o cenário político para as eleições de outubro, conforme levantamento da Folha de São Paulo.

Cerca de 23% dos deputados federais eleitos em 2022 já mudaram de partido ao menos uma vez, em alguns casos com mais de uma troca ao longo do mandato. A intensa movimentação ocorre no período em que parlamentares podem migrar de sigla sem risco de perder o mandato e deve impactar o funcionamento do Congresso, que não terá sessões na próxima semana.

Entre os exemplos de mudanças sucessivas está Vanderlan Alves (CE), que deixou o União Brasil, filiou-se ao Republicanos em fevereiro e, semanas depois, decidiu ingressar no Solidariedade para disputar a reeleição. Já a deputada Magda Mofatto (GO) saiu do PL para o PRD no início do mandato, retornou ao partido em março e agora negocia nova mudança após divergências sobre a disputa pelo governo estadual.

O deputado Duarte Jr. (MA) também ilustra a instabilidade partidária. Após passar o mandato no PSB e negociar sua ida ao União Brasil, ele desistiu da filiação após desentendimentos internos e busca uma nova legenda para concorrer.

A janela partidária, aberta em 5 de março e com término previsto para 3 de abril, permite a troca de partido sem punições por infidelidade partidária. Antes mesmo do início oficial do período, 48 deputados já haviam mudado de sigla, como o ex-ministro Ricardo Salles (SP), que deixou o PL para se filiar ao Novo com foco na disputa ao Senado, e Luciano Zucco, que ingressou no PL para disputar o governo do Rio Grande do Sul.

O PL, partido de Jair Bolsonaro, foi um dos principais beneficiados pela movimentação. Após perder força ao longo do mandato — caindo de 99 deputados eleitos em 2022 para 88 —, a legenda voltou a crescer. Desde a abertura da janela, ganhou 18 deputados e perdeu cinco, atingindo 100 parlamentares titulares.

Em sentido oposto, o União Brasil enfrenta uma redução significativa de sua bancada. A sigla já perdeu ao menos 20 deputados e ainda pode registrar novas saídas. Entre os fatores apontados estão a federação com o PP, que aumentou a disputa interna por vagas, e desentendimentos com a direção partidária.

A migração de parlamentares de perfil conservador para o PL também contribui para o enfraquecimento do União Brasil, diante da percepção de que a vinculação ao partido de Bolsonaro pode favorecer a reeleição.

O PSDB, por sua vez, apresenta sinais de recuperação. Após anos de retração, a legenda registrou apenas quatro saídas e conseguiu filiar nove deputados durante a janela, incluindo o ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho (MA) e o Pastor Eurico (PE). Apesar do crescimento, o partido ainda conta com uma bancada de 19 parlamentares.

Outras siglas também ampliaram presença. O PSD ganhou nove deputados e perdeu sete, enquanto o Podemos filiou oito parlamentares e perdeu dois, alcançando 22 integrantes e se tornando a oitava maior bancada da Câmara.

Já o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve pouca participação nas mudanças, com a saída de apenas uma suplente e sem novas filiações relevantes no período.

Com o prazo final se aproximando, novas trocas ainda podem ocorrer, consolidando uma nova configuração partidária na Câmara e influenciando diretamente as disputas eleitorais deste ano.

Artigos Relacionados