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França pode trocar candidatura por ministério em acordo com Lula em SP

Com uma possível nomeação de Márcio França para outro cargo no governo, ele não disputaria as eleições e apoiaria o campo progressista em São Paulo

Márcio França (Foto: Agência Brasil )

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula uma movimentação estratégica para reorganizar o campo progressista em São Paulo antes das eleições. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, fonte original das informações que embasam esta matéria, Lula pretende oferecer ao atual ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), uma vaga no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) — hoje chefiado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que deixará o posto para disputar as próximas eleições.

Ainda de acordo com a Folha, a lógica do acordo é direta: em troca da cadeira ministerial, França abriria mão de uma candidatura própria e passaria a apoiar o campo progressista na disputa eleitoral paulista. O presidente quer garantir um palanque unificado em São Paulo, estado estratégico e o maior colégio eleitoral do país.

A articulação envolve também o xadrez da oposição ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tentará a reeleição. Aliados de França defendem que o ministro seria um nome capaz de confrontar diretamente o atual chefe do Executivo estadual, avaliando que os outros pré-candidatos do campo progressista não teriam o mesmo perfil de embate. Na visão desses interlocutores, nem o pré-candidato ao governo Fernando Haddad (PT) nem os possíveis nomes para o Senado — Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) — apresentariam disposição para um enfrentamento mais direto com Tarcísio.

Dentro do próprio PSB, há quem defenda um caminho diferente para França: uma candidatura a deputado federal, com o objetivo de fortalecer a chapa do partido e ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados. O desempenho da sigla em 2022 foi modesto no estado — foram apenas dois eleitos entre os 70 deputados federais paulistas —, o que torna a estratégia de crescimento parlamentar uma prioridade para a legenda.

O nome de Geraldo Alckmin também entra nas cogitações eleitorais da base governista. Segundo a Folha, Lula chegou a sinalizar que gostaria de ver o vice-presidente como candidato ao Senado por São Paulo. No entanto, Alckmin teria demonstrado preferência por permanecer na vice-presidência, e seu perfil é avaliado como pouco afeito ao confronto político direto que a disputa eleitoral paulista tende a exigir.

O cenário político em São Paulo segue em aberto, com múltiplas variáveis em jogo e definições que dependem tanto das negociações internas ao governo quanto das movimentações da oposição liderada por Tarcísio de Freitas.

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