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Oposição a Lula queria transformar a CPMI do INSS em palco político, denunciam membros do PT

Deputados petistas afirmam que oposicionistas tentaram desviar foco das investigações e transformar a comissão em palanque às vésperas das eleições

Bancada (da esq. para a dir.): deputados Alencar Santana (PT-SP), Rogério Correia (PT-MG) e Paulo Pimenta (PT-RS) (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

247 - Parlamentares do Partido dos Trabalhadores comemoraram nesta quinta-feira (26) a decisão do Supremo Tribunal Federal que impediu a prorrogação da CPMI do INSS por mais 120 dias — extensão que era defendida pela oposição ao governo Lula. Segundo os deputados petistas, a tentativa de prolongar os trabalhos da comissão tinha motivação política clara: transformar o colegiado em vitrine eleitoral às vésperas do período de campanhas. A CPMI se reúne nesta sexta-feira (27) para a apreciação do relatório final.

As declarações foram feitas por parlamentares da bancada petista e constituem a fonte central desta matéria. O líder da Bancada do Governo na CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), fez um balanço dos trabalhos e avaliou que a comissão cumpriu seu papel enquanto manteve o foco nas fraudes previdenciárias, mas perdeu o rumo quando a oposição passou a utilizá-la para fins que não tinham relação com o objeto original da investigação.

"Enquanto a CPMI cumpriu o papel de investigar o objeto para o qual foi criada, ela prestou um grande serviço ao Brasil. A comissão mostrou ao povo brasileiro como organizações criminosas tomaram de assalto o INSS a partir de 2021, no governo Bolsonaro. Demonstrou também como entidades fantasmas passaram a realizar descontos em aposentadorias e pensões e como tiveram acesso a cadastros do INSS. Esta CPMI revelou ainda que dinheiro roubado de aposentados foi parar na conta de campanha do ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni", afirmou Pimenta.

O deputado também criticou a postura da oposição nos momentos finais da comissão. "Quando essa CPMI tentou fugir do foco da investigação, criar factoides e envolver pessoas sem relação com o caso do INSS, ela expôs o Parlamento e gerou situações como a de hoje, em que houve uma tentativa de desconsiderar uma decisão do STF", disse.

Pimenta foi além e destacou que a comissão também expôs o que chamou de escândalo BolsoMaster, relacionando o Banco Master ao esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários. "Esta CPMI mostrou ao Brasil o escândalo BolsoMaster e como o cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Fabiano Zettel, colocou milhões nas campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio. Também mostrou o deputado Nikolas Ferreira viajando pelo Brasil no jatinho de Vorcaro durante a campanha eleitoral", enfatizou.

Mais depoimentos

O deputado Alencar Santana (PT-SP) reforçou que as investigações comprovaram ligações financeiras entre figuras do bolsonarismo e o esquema fraudulento, além de denunciar que alertas sobre as irregularidades foram ignorados pelo governo anterior. 

"Está comprovado que Zettel doou R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas na campanha eleitoral de 2022. Também ficou claro que o esquema poderia ter sido interrompido em 2019, quando o então presidente do Procon-SP, Fernando Capez, alertou o ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sérgio Moro — hoje senador e membro da CPMI — sobre descontos irregulares no INSS. O mesmo alerta foi feito ao então secretário de Previdência, Rogério Marinho, também integrante da comissão", declarou.

Santana também apontou que depoimentos colhidos pela CPMI indicaram que diversas entidades criadas exclusivamente para realizar descontos fraudulentos em benefícios previdenciários surgiram entre 2019 e 2022, durante a gestão Bolsonaro.

Sobre o relatório final a ser apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL), o deputado Rogério Correia (PT-MG) declarou desconfiança quanto à imparcialidade do documento. "Queremos ver se essa CPMI vai terminar em pizza. Vamos apresentar um relatório em separado, que não é uma peça política ou ideológica. Caso o relatório do relator seja derrotado, vamos propor o indiciamento de todos os agentes envolvidos no esquema de descontos irregulares, que começou no governo Temer, atravessou o governo Bolsonaro e só foi desbaratado no governo Lula", afirmou.

Correia defendeu ainda que um relatório robusto sobre as fraudes nos empréstimos consignados deve incluir o indiciamento de Daniel Vorcaro e de Fabiano Zettel, ambos presos. O deputado também trouxe à tona uma transferência de R$ 40 milhões feita por Zettel à Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, fechada recentemente após o escândalo. "Nada contra a igreja evangélica, mas pastor que faz lavagem de dinheiro não pode ser blindado, como foi o pastor André Valadão, presidente da Batista da Lagoinha, que infelizmente não conseguimos trazer para depor na CPMI", declarou. Vale destacar que o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), é membro dessa igreja.

Requerimentos

Em reunião realizada anteriormente, a CPMI aprovou dois requerimentos por acordo entre os membros: a convocação de Lourival Rocha Júnior, presidente da Associação Nacional de Correspondentes Bancários (Anec), para depor como testemunha; e a solicitação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de relatórios de inteligência financeira, além da quebra de sigilos fiscal e bancário de Fábio Gomes Paixão Rosa, referentes ao período entre janeiro de 2023 e março de 2026.

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