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Governistas veem articulação de Alcolumbre na derrota da indicação de Messias ao STF

Aliados do governo avaliam que o presidente do Senado teria atuado para ampliar os votos contrários à aprovação

Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, participa da abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado, em votação secreta, ampliou a crise política entre o governo e o Congresso. A indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentou resistência e acabou derrotada no plenário, evidenciando dificuldades de articulação política.

De acordo com o jornal O Globo, aliados do governo atribuem o resultado a uma articulação de última hora liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que teria atuado para ampliar os votos contrários ao indicado.

Votação revela disputa política

Messias, atual advogado-geral da União, obteve 34 votos favoráveis, número insuficiente para aprovação — eram necessários ao menos 41. Ao todo, foram registrados 42 votos contrários, superando as estimativas iniciais de resistência.

Senadores ouvidos sob reserva relataram que Alcolumbre teria feito contatos ao longo do dia com parlamentares de centro, oposição e indecisos, pedindo votos contra o nome indicado pelo governo e incentivando a ampliação desse movimento.

Alcolumbre nega interferência

Em discurso no plenário, momentos antes da votação, o presidente do Senado negou ter atuado contra a indicação e afirmou ter cumprido apenas suas atribuições institucionais. "Vou me preservar no dia de hoje apenas de cumprir com minhas obrigações regimentais e constitucionais", declarou.

Ele acrescentou que sua atuação se limitou à organização do processo. "Do ponto de vista da presidência do Senado, organizei o calendário, promovi a deliberação das matérias e procedi às sabatinas", afirmou.

Articulação até o último momento

Relatos de parlamentares indicam que a movimentação política se estendeu até as horas finais da votação. Alcolumbre acompanhou a sabatina durante o dia e esteve presente pouco antes da divulgação do resultado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Ainda segundo esses relatos, o presidente do Senado teria evitado interlocuções com representantes do governo durante a tarde, enquanto a resistência ao nome de Messias era consolidada. Tentativas de reunião emergencial com integrantes do Planalto não avançaram.

Divergência sobre a vaga no STF

A indicação de Messias já enfrentava divergências desde o início. Alcolumbre defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga no Supremo e, após a escolha do governo, passou a manter maior distanciamento político.

Apesar disso, o senador vinha adotando publicamente um discurso de neutralidade, afirmando que garantiria apenas o cumprimento do rito institucional da indicação.

Impacto político

A rejeição é considerada por aliados do governo como um episódio de forte impacto político. Durante a tramitação, Messias buscou reduzir resistências com acenos ao Legislativo, defesa da separação entre os Poderes e posicionamentos de autocontenção do Judiciário.

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