CPI do Crime Organizado convoca irmãos de Toffoli e quebra sigilos do Master e da Maridt
Comissão determina oitivas de dirigentes do Banco Master e aprova convites a Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Viviane Barci
247 - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (25) a convocação dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, além da quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do Banco Master, da empresa Maridt Participações e da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. As decisões foram tomadas em sessão do colegiado e ampliam o escopo das investigações em curso.
A comissão também determinou a realização de oitivas de dirigentes ligados ao Banco Master e aprovou convites para que os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além da advogada Viviane Barci, participem de audiência na CPI.
Entre os requerimentos aprovados estão as convocações de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master; José Carlos Dias Toffoli Cônego e José Eugênio Dias Toffoli, empresários e irmãos do ministro do STF; Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; Fabiano Campos Zettel; João Carlos Falbo Mansur, fundador e ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos; Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Banco Master; Alberto Félix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria do banco; Luiz Antônio Bull, ex-diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia da instituição; e Paulo Henrique Costa, presidente afastado do Banco de Brasília (BRB).
Resort no Paraná e supostas conexões
Toffoli e seus irmãos são sócios da empresa Maridt Participações. A Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort Tayayá, no município de Ribeirão Claro (PR), e iniciou a venda de sua participação no empreendimento em 2021.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, justificou os pedidos de convocação com base em indícios de conexão entre os irmãos de Toffoli, o empresário Mario Degani e a Reag Trust, por meio de participações societárias no resort paranaense.
No requerimento apresentado, Vieira afirmou: "A intermediação de negócios envolvendo o Arleen, administrado pela CBSF (antiga Reag Trust), traz o tema para o centro do escopo da CPI. A Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou relações de lavagem de dinheiro com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC)".
O senador acrescentou ainda: "Ainda, segundo as notícias, o fundo Arleen tinha como único cotista o cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master".
O parlamentar também mencionou a "existência de um cassino com mesas de blackjack e apostas em dinheiro no resort", o que, segundo ele, pode caracterizar prática de contravenção penal.
Mudança na relatoria no STF
Dias Toffoli era o relator do caso envolvendo o Banco Master no STF e adotou medidas no inquérito que passaram a ser questionadas nos meios político e jurídico. No dia 12 de fevereiro, ele deixou a relatoria do processo, que passou a ser conduzido pelo ministro André Mendonça.
Oitiva de TH Joias é adiada
A CPI previa para esta quarta-feira (25) a oitiva do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. Ele foi preso em setembro do ano passado sob acusação de manter ligações com o Comando Vermelho.
Após a prisão do ex-parlamentar, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto também foi detido, sob suspeita de ter vazado o mandado de prisão que ele próprio havia expedido contra TH Joias.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), informou que a audiência foi cancelada por falta de autorização do STF para o deslocamento do preso. "A CPI oficiou ao ministro desse caso, Alexandre de Moraes, e ainda não obtivemos resposta. Por esta razão não teremos a parte da oitiva do senhor Thiego", declarou.


