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Raízen avalia alternativas para reforçar liquidez e reduzir pressão financeira

Companhia inicia revisão estratégica para ajustar estrutura de capital em meio a preocupações do mercado

Raízen (Foto: Reuters)

247 - A Raízen informou que iniciou a contratação de assessores financeiros e jurídicos para avaliar alternativas estratégicas com foco no reforço da liquidez, na otimização da estrutura de capital e na redefinição de sua relação com o mercado financeiro. A iniciativa formaliza um processo de revisão do balanço que vinha sendo desenhado diante do aumento das preocupações de investidores com o nível de alavancagem, a geração de caixa e os riscos de financiamento enfrentados por uma das maiores empresas de distribuição de combustíveis e bioenergia do país.

Segundo comunicado divulgado ao mercado, a análise está em fase preliminar e exploratória e não envolve, neste momento, qualquer compromisso vinculante ou decisão sobre operações específicas. As informações foram publicadas inicialmente pelo site Brazil Stock Guide, com base em fato relevante apresentado pela companhia.

No âmbito do processo, a Raízen contratou os escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen Hamilton para atuar como assessores jurídicos, de acordo com informações do jornal O Globo. A reestruturação é conduzida por Eduardo Munhoz, especialista reconhecido em negociações complexas de dívida, que atua como assessor da Cosan, acionista controladora da empresa.

A inquietação do mercado se intensificou nas últimas semanas diante da avaliação de que os dois principais acionistas da Raízen, Cosan e Shell, poderiam não estar dispostos a cobrir uma necessidade de financiamento estimada em cerca de US$ 4 bilhões. Reportagem da agência Bloomberg indica que, em reuniões realizadas na semana passada, a companhia e seus assessores discutiram cenários ainda iniciais que incluem desde um possível desconto sobre a dívida em um processo de reestruturação até a separação de ativos, uma oferta de ações ou uma injeção direta de capital.

A empresa enfrenta um conjunto de fatores adversos, como juros elevados, colheitas de cana-de-açúcar abaixo do esperado e uma sequência de investimentos intensivos em capital, incluindo projetos de etanol de segunda geração e combustível sustentável de aviação, que ainda não geraram retornos relevantes. Estimativa do banco UBS aponta que a Raízen precisaria captar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões em novos recursos para equilibrar sua estrutura financeira, valor equivalente a até US$ 4,8 bilhões.

As negociações entre os grupos controladores se estendem há meses sem uma definição clara, o que tem aumentado a pressão sobre o balanço da companhia e contribuído para a volatilidade de seus títulos no mercado. Dados compilados pela Bloomberg mostram que os bônus denominados em dólar da Raízen acumularam perdas de cerca de 18% nos últimos seis meses, figurando entre os piores desempenhos de créditos corporativos de mercados emergentes no período.

No balanço mais recente, a empresa reportou dívida líquida de R$ 53,4 bilhões, distribuída entre detentores de títulos, fundos de crédito e grandes bancos de varejo do país. A Raízen tem divulgação de resultados prevista para fevereiro, em meio ao aumento da pressão por maior transparência sobre sua capacidade de geração de caixa.

O aperto financeiro já se refletiu nas avaliações de risco de crédito. A S&P Ratings rebaixou a nota da companhia para BBB-, com perspectiva negativa, enquanto a Moody’s cortou o rating para grau especulativo, citando a deterioração dos indicadores financeiros e o fluxo de caixa persistentemente negativo.

No fato relevante, a Raízen afirmou que suas operações seguem normalmente e destacou a importância da manutenção das relações com clientes, fornecedores e parceiros comerciais. Ainda assim, a decisão de iniciar formalmente uma revisão estratégica indica que a gestão da liquidez e a flexibilidade da estrutura de capital passaram a ocupar posição central na agenda da empresa, mantendo investidores atentos a eventuais vendas de ativos, ao apoio dos acionistas e ao ritmo dos investimentos futuros.

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