Trump resolve mudar o discurso para defender os ataques contra o Irã
A narrativa dos EUA tem momentos de foco em dissuasão de programa nuclear e, em outras ocasiões, defende que povo iraniano “assuma o controle” do Irã
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ordenou ataques militares contra o Irã com a justificativa de impedir os avanços do programa de mísseis de Teerã e neutralizar ameaças à segurança estadunidense. De acordo com a Reuters, a narrativa oficial tem variado, com momentos de foco em dissuasão de supostos programas nucleares, outras vezes em ameaça iminente e até convites a que a população iraniana “assuma o controle” de seu governo após os ataques.
Inicialmente, Trump justificou os ataques ao Irã e acusou o país asiático de querer o desenvolvimento da arma nuclear, o que, segundo ele, seria um risco global. Agora, o chefe da Casa Branca também afirma que o ataque ao país asiático tem como um de seus principais objetivos barrar o desenvolvimento de capacidades que poderiam ameaçar diretamente os EUA e seus aliados, algo que especialistas em segurança contestam por falta de evidências públicas claras. A ONU também afirmou não haver provas sobre o desenvolvimento de bomba nuclear por autoridades iranianas.
Os EUA e as forças israelenses iniciaram os ataques contra o Irã no último sábado (28). Nesses quatro dias de conflitos, pelo menos 787 pessoas morreram no Irã, relatou a mídia estatal iraniana nesta terça-feira (3) com base em informações do Crescente Vermelho, braço da Cruz Vermelha que atua no Oriente Médio. Líder da revolução islâmica do Irã, aiatolá Ali Khamenei esteve entre os mortos.
Reações e contexto regional
O lançamento das operações, que incluem ataques coordenados com Israel, provocou condenações de outros países e respostas militares por parte do Irã, incluindo disparos de mísseis e drones contra bases dos EUA e nações do Golfo Pérsico, de acordo com relatos de agências internacionais.
Líderes como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, elogiaram as medidas de Trump, classificando-as como uma ação firme e necessária frente às ameaças regionais, enquanto aliados americanos reforçaram o argumento de que as medidas são defensivas diante de um regime considerado hostil.
Dúvidas sobre duração e metas da campanha
Trump sugeriu que a campanha pode durar de quatro a cinco semanas, mas admitiu que pode se estender por um período indeterminado caso os objetivos não sejam alcançados no prazo esperado, reforçando a prontidão dos Estados Unidos para um conflito prolongado se necessário.
Analistas internacionais e cidadãos em várias partes do mundo têm acompanhado com apreensão a evolução da ofensiva, que transformou-se em um dos episódios mais tensos da geopolítica contemporânea no Oriente Médio desde os ataques de 2025 a instalações nucleares iranianas e os persistentes atritos em negociações diplomáticas fracassadas sobre programas balísticos e nucleares.
Irã responde
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o país não mantém conflito com as nações do Golfo, mas enfrenta diretamente os Estados Unidos, após os ataques ocorridos no último sábado. As afirmações foram veiculadas pela mídia estatal iraniana, que destacou as palavras do chanceler em meio ao agravamento da crise na região.
Em tese, os Estados Unidos contam com pelo menos oito aliados no Oriente Médio, entre eles Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria. Por sua vez, o Irã mantém alianças com o Paquistão, o Hezbollah — grupo sediado no Líbano — e o Iêmen.
Estreito de Ormuz
O governo do Irã informou o fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota marítima utilizada para o transporte de petróleo do Oriente Médio, em meio ao agravamento da crise militar iniciada no sábado (28), após ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano.
Responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no planeta, o estreito ocupa posição estratégica e sua interrupção pode provocar fortes impactos na economia global, conforme apontado pela Reuters. A situação ganhou novos contornos com ofensivas adicionais registradas também nesta segunda-feira (2), ampliando o risco geopolítico na região.
Situado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz estabelece a ligação entre o Golfo Pérsico, o Golfo de Omã e o Mar Arábico. A via marítima é considerada essencial para integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, que utilizam o trajeto para exportar a maior parte de sua produção, sobretudo para o mercado asiático. Embarcações com destino à Europa e às Américas também utilizam o corredor para transporte de carga.


