'Teremos uma terceira onda de ataques', diz Trump sobre ofensiva contra o Irã
Segundo o chefe da Casa Branca, os ataques conduzidos por forças dos EUA e de Israel teriam destruído “praticamente tudo” no território iraniano
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que uma “terceira onda” de ataques contra o Irã vai acontecer “em breve”. Antes de uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz, o chefe da Casa Branca disse, no Salão Oval, que os ataques dos EUA e de Israel contra o território iraniano destruiu "praticamente tudo" no país do Oriente Médio.
“A maioria das pessoas que tínhamos em mente está morta. E temos outro grupo. Eles também podem estar mortos, segundo relatos. Teremos uma terceira onda, e muito em breve não vamos conhecer ninguém", afirmou.
O político do Partido Republicano disse querer "alguém de dentro" do regime dos aiatolás para assumir o controle do país, mas que "a maior parte das pessoas que tínhamos em mente (para assumir) morreram".
Mortes
Segundo a mídia estatal iraniana, com base em dados do Crescente Vermelho — organização que integra o movimento internacional da Cruz Vermelha e atua no Oriente Médio —, ao menos 787 pessoas morreram no Irã desde o início dos ataques. Entre os mortos estaria o líder da revolução islâmica do país, aiatolá Ali Khamenei.
Os bombardeios começaram no sábado (28), quando forças dos Estados Unidos e de Israel iniciaram ações militares contra alvos em território iraniano, ampliando a tensão geopolítica na região.
Mudança no discurso
Inicialmente, o atual presidente dos Estados Unidos justificou a ofensiva alegando que o Irã buscava desenvolver armas nucleares, o que, segundo ele, representaria uma ameaça global. Posteriormente, o chefe da Casa Branca passou a sustentar que a operação também tem como objetivo impedir o avanço de capacidades militares que poderiam atingir diretamente os Estados Unidos e seus aliados.
Especialistas em segurança, no entanto, afirmam que não há evidências públicas claras que comprovem essas alegações. A Organização das Nações Unidas (ONU) também declarou não haver provas de que autoridades iranianas estivessem desenvolvendo bomba nuclear.
Com a promessa de uma “terceira onda” de ataques, o conflito entra em uma nova fase, ampliando as incertezas sobre os desdobramentos militares e políticos na região.
Irã
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país não está em confronto com as nações do Golfo, mas sim em enfrentamento direto com os Estados Unidos, após os ataques realizados no último sábado. As declarações foram divulgadas pela mídia estatal iraniana, que repercutiu as falas do chanceler em meio à intensificação da crise regional.
Em termos de alianças, os Estados Unidos têm, ao menos em tese, oito parceiros no Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria. Já o Irã conta com o apoio do Paquistão, do Hezbollah — organização baseada no Líbano — e do Iêmen.
Estreito de Ormuz
O governo iraniano anunciou o bloqueio do Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o transporte de petróleo oriundo do Oriente Médio, em meio à escalada militar iniciada no sábado (28), após ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano. Por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado mundialmente, o estreito possui relevância estratégica, e sua interdição pode gerar impactos significativos na economia global, segundo avaliação da Reuters.
A tensão se intensificou com novas ofensivas registradas também na segunda-feira (2), elevando o risco geopolítico na região.Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.
A rota marítima é considerada fundamental para países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, que utilizam o trajeto para escoar grande parte de sua produção, principalmente com destino à Ásia. Navios que seguem para a Europa e para as Américas também atravessam o corredor para transporte de cargas.
Polêmico, Trump anunciou que Washington oferecerá garantias de seguro e escolta naval a petroleiros e outras embarcações que atravessem o Estreito de Ormuz.


