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      Após conversa com Lula, Macron defende parceria com Brasil e cita condições para acordo Mercosul-UE

      Presidente francês reiterou apoio ao multilateralismo, destacou a importância da COP-30 e condicionou tratado comercial à proteção da agricultura europeia

      Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
      Guilherme Paladino avatar
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      247 - O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu nesta quarta-feira (20) o aprofundamento da parceria com o Brasil e reiterou que só aceitará um acordo ambicioso entre Mercosul e União Europeia se houver garantias para a agricultura francesa e europeia. A declaração foi feita em publicação nas redes sociais após conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada pela manhã.

      Segundo Macron, o diálogo com Lula deu continuidade à reunião de Washington, na última segunda-feira, em que líderes europeus se reuniram com Donald Trump e Volodymyr Zelensky para discutir caminhos para o fim do conflito com a Rússia. O líder francês reforçou que a cooperação entre Brasil e França deve se expandir em áreas como defesa, transportes e comércio, com atenção especial às tarifas alfandegárias.

      Multilateralismo e Ucrânia

      Macron também reafirmou a defesa do multilateralismo como instrumento essencial para alcançar uma “paz justa e duradoura” na Ucrânia. Para ele, é preciso estabelecer garantias sólidas de segurança tanto para Kiev quanto para a Europa. O presidente francês acrescentou que seguirá dialogando com Lula sobre as iniciativas de paz em curso, como o Grupo de Amigos da Paz, liderado por Brasil e China.

      COP-30 em Belém

      Outro tema central da ligação foi a COP-30, que será realizada em Belém, no Pará, no final de 2025. Macron destacou que o encontro deverá enfrentar de forma decisiva os grandes desafios ambientais e sociais, como a mudança climática e o combate à pobreza. Ele confirmou sua presença na cúpula e disse estar comprometido em alinhar a União Europeia às metas climáticas necessárias diante da crise ambiental.

      Acordo Mercosul-União Europeia

      Sobre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, Macron reiterou estar disposto a firmar o tratado ainda neste semestre, mas fez uma ressalva: “Estou pronto para um acordo ambicioso, desde que preserve os interesses da nossa agricultura francesa e europeia e esteja a serviço das nossas economias respetivas”, afirmou.

      Contexto da ligação

      De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula aproveitou a conversa para criticar o uso político de tarifas comerciais contra o Brasil, em referência às medidas recentes dos Estados Unidos. O presidente brasileiro informou que seu governo já apresentou recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas por Washington.

      Os dois líderes concordaram em manter o diálogo para avançar nas negociações comerciais e reforçar a cooperação bilateral. “Concordamos em continuar a aprofundar nossa relação bilateral, na continuidade à minha visita de Estado ao Brasil e à visita do presidente Lula à França, em junho passado”, disse Macron.

      VEJA A NOTA DE MACRON NA ÍNTEGRA: 

      Acabo de conversar com o presidente Lula.

      Na sequência da reunião realizada na segunda-feira em Washington, reiterei a necessidade de defender o multilateralismo e seu papel central para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia, com garantias sólidas de segurança para a Ucrânia e para a segurança da Europa.

      Com a aproximação da COP30, que terá lugar em Belém no final de 2025, fizemos um balanço dos grandes desafios globais, em especial as questões ambientais e a luta contra a pobreza.

      No que diz respeito ao Mercosul, reiterei que estou pronto para um acordo UE-Mercosul ambicioso, desde que preserve os interesses da nossa agricultura francesa e europeia e esteja ao serviço das nossas economias respetivas.

      Também discutimos de forma aprofundada as questões econômicas, em particular as tarifas alfandegárias, assim como nossa cooperação bilateral nas áreas de defesa e de transportes. Concordamos em continuar a aprofundar nossa relação bilateral, na continuidade à minha visita de Estado ao Brasil e à visita do presidente Lula à França, em junho passado.

      ❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].

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