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      China e Índia avançam em negociações de fronteira e anunciam retomada de voos diretos e maior cooperação econômica

      Visita do chanceler Wang Yi a Nova Délhi resultou em consensos sobre fronteiras, comércio, intercâmbio cultural e apoio mútuo em cúpulas do BRICS

      Wang Yi e Narendra Modi (Foto: Divulgação / Global Times)
      Redação Brasil 247 avatar
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      247 – A visita do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, à Índia encerrou-se nesta quarta-feira (20) com uma série de anúncios considerados históricos para a relação bilateral. Segundo informou o Global Times, foram alcançados consensos tanto no campo da segurança de fronteiras quanto em áreas práticas de cooperação, incluindo a retomada de voos diretos e o fortalecimento do comércio.

      A porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning, afirmou que os dois países “concordaram em reiniciar mecanismos de diálogo em vários setores, aprofundar a cooperação mutuamente benéfica, defender o multilateralismo, enfrentar desafios globais em conjunto e se opor ao bullying unilateral”. Mao acrescentou que Índia e China chegaram a um entendimento sobre a manutenção da paz nas áreas de fronteira, a gestão de pontos sensíveis e a retomada de negociações em regiões em que “as condições estejam maduras”.

      Consensos de fronteira e estabilidade regional

      O encontro entre Wang Yi e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, além de conversas com o chanceler Subrahmanyam Jaishankar e o conselheiro de segurança Ajit Doval, incluiu a 24ª rodada de negociações sobre questões de fronteira. Desse diálogo resultou um consenso em dez pontos, que reforça a disposição dos dois lados em preservar a paz e a estabilidade na região.

      De acordo com a agência Xinhua, os países concordaram em criar um grupo de especialistas em demarcação de fronteiras, ampliar os mecanismos de comunicação militar e diplomática e avançar em conversas específicas nas seções oeste, leste e central da fronteira. Também foi definida a reabertura de três mercados tradicionais de fronteira e a realização da 25ª rodada de negociações, marcada para 2026, na China.

      Para o pesquisador Tian Guangqiang, do Instituto Nacional de Estratégia Internacional da Academia Chinesa de Ciências Sociais, o consenso tem importância estratégica: “Embora a questão fronteiriça seja complexa, ambas as partes estão dispostas a manter a paz e evitar qualquer escalada que afete a cooperação geral”, disse ao Global Times.

      Comércio, viagens e intercâmbio cultural

      Outro ponto central do acordo foi a retomada dos voos diretos entre a China continental e a Índia, acompanhada da revisão do acordo de serviços aéreos e da facilitação de vistos para turistas, empresários, jornalistas e visitantes em geral.

      Os dois países também concordaram em ampliar o intercâmbio cultural, com a realização da terceira reunião do Mecanismo de Alto Nível China-Índia sobre Intercâmbios Povo a Povo em 2026, na Índia. Foi definida ainda a ampliação do número de peregrinações indianas ao Monte Kailash e ao Lago Manasarovar, na Região Autônoma do Tibete, no mesmo ano.

      Segundo Liu Zongyi, diretor do Centro de Estudos do Sul da Ásia do Instituto de Estudos Internacionais de Xangai, “as medidas refletem que as relações sino-indianas estão gradualmente se estabilizando”, mas alertou que será necessário acompanhar se a Índia manterá esses compromissos sem interrupções.

      Integração econômica e contexto internacional

      Além de questões bilaterais, Wang Yi e Subrahmanyam Jaishankar discutiram temas regionais e globais. A China se comprometeu a apoiar a Índia na presidência da cúpula do BRICS em 2026, enquanto Nova Délhi garantiu apoio a Pequim na edição de 2027.

      Especialistas ouvidos pelo Global Times destacaram que parte da abertura indiana está ligada a pressões econômicas internas e externas. Lan Jianxue, diretor do Departamento de Estudos da Ásia-Pacífico do Instituto de Estudos Internacionais da China, observou que a Índia busca reduzir restrições a investimentos chineses para estimular sua economia e, ao mesmo tempo, fortalecer laços comerciais para enfrentar pressões vindas dos Estados Unidos, como tarifas elevadas.

      A porta-voz Mao Ning resumiu a expectativa chinesa com a visita: “A China espera, por meio da visita do chanceler Wang Yi, trabalhar com a Índia para implementar os entendimentos alcançados pelos líderes, manter o ímpeto dos intercâmbios de alto nível, aumentar a confiança política mútua, fortalecer a cooperação prática, administrar adequadamente as diferenças e promover o desenvolvimento estável e sustentável das relações sino-indianas”.

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