Paulo Pimenta: agressão de Trump à Venezuela viola qualquer norma do direito internacional e visa saquear o petróleo
Deputado denuncia ataque militar e “sequestro” de Nicolás Maduro, afirma que motivação é energética e alerta para ameaça à soberania da América do Sul
247 – O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) condenou duramente o ataque militar patrocinado por Donald Trump e pelos Estados Unidos contra a Venezuela, acompanhado do “sequestro do presidente Nicolás Maduro”. Segundo ele, a ação não apenas fere princípios essenciais do direito internacional como revela, de forma explícita, a intenção de controlar e explorar o petróleo venezuelano, abrindo um “precedente gravíssimo” para toda a América do Sul.
As declarações foram feitas em vídeo publicado no YouTube, no qual Pimenta reagiu aos acontecimentos e classificou a ofensiva como um crime internacional. Ele argumenta que, independentemente de qualquer opinião sobre Maduro ou o governo venezuelano, a intervenção militar contra um país soberano e a captura de seu presidente violam regras elementares da convivência entre nações.
“Nada justifica o ataque militar que Donald Trump e os Estados Unidos patrocinaram hoje contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro”, afirmou. E completou: “Uma intervenção militar, um sequestro de um presidente da República, viola qualquer acordo, qualquer norma do direito internacional e abre um precedente gravíssimo”.
Pimenta diz que o alvo nunca foi o regime, mas o petróleo
No vídeo, Paulo Pimenta critica o discurso histórico de Washington, que costuma justificar ações contra governos latino-americanos sob a bandeira da “defesa da democracia”. Para ele, esse argumento não se sustenta, já que os Estados Unidos mantêm relações comerciais e diplomáticas com regimes autoritários aliados, especialmente no Oriente Médio.
“Qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que pros Estados Unidos nunca interessou o regime da Venezuela”, disse. Para reforçar o ponto, ele citou a Arábia Saudita como exemplo de monarquia sem oposição interna que, ainda assim, mantém convivência econômica plena com os norte-americanos.
Segundo o deputado, o interesse real é estratégico e energético. “A Venezuela, na realidade interessa para os americanos, não pela forma como elege os seus governantes, mas porque tem a maior reserva de petróleo do planeta, maior do que qualquer país do Oriente Médio”, afirmou. Ele acrescentou que, durante décadas, esse petróleo serviu “única e exclusivamente para enriquecer as grandes petroleiras dos Estados Unidos”.
Imperialismo explícito
Pimenta sustenta que a motivação econômica teria sido assumida de maneira aberta por Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. O deputado diz que Trump teria sido “muito claro” ao declarar que permaneceria no país para assegurar o controle do território e da exploração energética.
“Os Estados Unidos hoje vive uma enorme crise energética. E Donald Trump foi muito claro. ‘Nós vamos ficar na Venezuela’, disse ele”, relatou.
Na sequência, Pimenta descreveu o que considera um plano de ocupação e exploração. “Nós vamos fazer um governo de transição até que tenhamos segurança e até lá nós vamos explorar o petróleo da Venezuela. As empresas americanas vão usufruir desta reserva do petróleo”, afirmou, reproduzindo a fala atribuída ao presidente norte-americano.
Para o deputado, a gravidade está na franqueza da intenção: “É explícita a motivação e nós não podemos tolerar porque isto abre um precedente gravíssimo”.
Alerta: hoje Venezuela, amanhã Bolívia, Equador e Brasil
Um dos pontos centrais do pronunciamento de Pimenta foi o alerta sobre o impacto geopolítico da ofensiva contra Caracas. Para ele, a agressão não deve ser vista como um caso isolado, mas como um aviso a toda a América do Sul — especialmente países que concentram recursos estratégicos, como lítio, água doce, petróleo e alimentos.
“Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser a Bolívia ou Equador que tem reservas de lítio ou nós que temos reserva de água doce, de petróleo, que somos um dos maiores celeiros da produção de alimentos do mundo”, afirmou.
Ele também classificou o episódio como uma ameaça direta à estabilidade regional. “É intolerável. E nós não podemos nos calar diante dessa agressão que é perigosa para América do Sul”, disse.
Crítica à Doutrina Monroe e ao “braço forte” dos EUA
Pimenta afirmou ainda que Trump teria invocado a Doutrina Monroe, tradicional diretriz da política externa dos Estados Unidos, marcada pela ideia de que o continente americano deve permanecer sob influência de Washington. Para ele, esse discurso resgata a lógica do controle imperial e a visão da América Latina como uma zona subordinada.
“Donald Trump hoje falou em doutrina monro, falou que voltará a mostrar o braço forte dos Estados Unidos para controlar e dominar o continente”, afirmou.
O deputado disse que Trump usou a expressão “hemisfério” como sinal de que pretende retomar, em termos explícitos, a lógica de dominação que marcou períodos autoritários do passado, incluindo a época da ditadura militar no Brasil.
Pimenta lembrou que o Brasil, segundo ele, recuperou soberania e protagonismo internacional nos últimos anos, especialmente com o governo do presidente Lula. Ele afirmou que o país deixou de aceitar o papel de “quintal” de interesses estrangeiros e passou a se afirmar como nação autônoma e relevante no cenário global.
“Não podemos nos calar”, diz deputado
Ao final, Paulo Pimenta reiterou sua condenação ao episódio e conclamou que governos e sociedades não permaneçam em silêncio diante do que chamou de crime internacional.
“Fica aqui meu repúdio e a minha certeza de que nós não podemos nos calar em nenhuma hipótese diante desta agressão, que é um crime que viola o direito internacional que o povo da Venezuela sofreu no dia de hoje”, declarou.


