Mauro Vieira intensifica contatos com chanceleres do Oriente Médio em meio à crise iraniana
Chanceler brasileiro conversou com ministros da Jordânia, Kuwait e Emirados Árabes Unidos alertando para impactos regionais diante da escalada militar
247 - A escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos levou o governo brasileiro a intensificar sua atuação diplomática junto a países do Oriente Médio. O objetivo é acompanhar os desdobramentos militares, avaliar impactos regionais e monitorar a situação de brasileiros que estão na área afetada.
Segundo o G1, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, realizou uma rodada de conversas telefônicas com o chanceler da Jordânia, Ayman Safadi; com o ministro das Relações Exteriores do Kuwait, Jarrah Jaber Al-Ahmad Al-Sabah; e com o chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed Al Nahyan. Antes das ligações, Vieira conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para atualizá-lo sobre o cenário da guerra.
De acordo com um interlocutor da diplomacia brasileira, há um esforço para obter informações diretas e qualificadas junto a parceiros da região, a fim de embasar a avaliação do governo sobre o conflito.
Atuação junto à Jordânia e ao Kuwait
Em nota oficial, o Itamaraty informou que, na conversa com o chanceler jordaniano, os ministros “trataram dos ataques do Irã ao território jordaniano e dos possíveis cenários para o conflito nos próximos dias”. O comunicado acrescenta que “o Ministro Mauro Vieira transmitiu ao Ministro jordaniano a solidariedade do Brasil e expressou preocupação quanto aos desdobramentos militares e ao alastramento regional do conflito”.
No diálogo com o Kuwait, o foco recaiu sobre os efeitos diretos da crise. Segundo o Itamaraty, foram discutidos “dos impactos da crise e das ações militares para o Kuwait, para a região e para a economia global, e discutiram também a situação da comunidade brasileira naquele país”.
Preocupação com brasileiros nos Emirados Árabes
A conversa com Abdullah bin Zayed Al Nahyan foi a segunda desde o início dos ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã. Os ministros abordaram os desdobramentos da guerra e o fechamento do espaço aéreo em diversos pontos do Oriente Médio.
Entre as principais preocupações do governo brasileiro está a situação de cidadãos que se encontram nos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi, diante das restrições de voos impostas após a intensificação do conflito.
Avaliação no Palácio do Planalto
Na segunda-feira (2), o assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, conversou por telefone com o presidente Lula sobre a escalada das tensões. Durante o diálogo, Amorim relembrou os esforços da diplomacia brasileira, em 2010, ao lado da Turquia, que resultaram na Declaração de Teerã.
A proposta previa que o Irã enviasse parte de seu urânio enriquecido à Turquia, onde o material permaneceria sob custódia internacional, em troca de combustível nuclear para um reator de pesquisas médicas. A iniciativa buscava reduzir tensões em torno do programa nuclear iraniano e evitar novas sanções, mas foi rejeitada pelos Estados Unidos e não avançou.


