Filho de Lula diz estar à disposição do STF para prestar esclarecimentos em inquérito do INSS
Defesa afirma que Fábio Luiz não é alvo da Operação Sem Desconto e nega ligação com fraudes em descontos associativos
247 - A defesa de Fábio Luiz Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso aos autos do inquérito que investiga suspeitas de irregularidades em descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No pedido, ele também se colocou à disposição da Corte para prestar esclarecimentos, caso seja necessário. Lulinha, como é mais conhecido, não é alvo de nenhuma fase da Operação Sem Desconto, mas teve o nome mencionado por uma testemunha no curso das investigações. As informações são do jornal O Globo.
Defesa solicita acesso a inquérito sigiloso
De acordo com nota assinada pelo advogado Guilherme Suguimori, a solicitação foi protocolada no fim de janeiro e aguarda decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. O inquérito tramita sob sigilo.
Na manifestação encaminhada ao Supremo, a defesa afirma que "apesar de Fábio Luís não ter sido alvo da operação 'Sem Desconto', nem objeto de medidas ou restrições judiciais, entendemos ser necessário pedir ao STF acesso aos autos após a publicação de seguidas matérias de teor acusatório e difamante, contendo trechos isolados do inquérito sigiloso". "Ao fazer o pedido, Fábio também se colocou à disposição do tribunal para prestar qualquer esclarecimento eventualmente necessário, o que poderá fazer após a concessão de acesso", destaca um outro trecho do texto.
Os advogados sustentam ainda que Fábio Luiz não possui qualquer relação com as irregularidades apuradas. Segundo a defesa, ele não tem ligação com as "fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa".
PF cita nome em três trechos dos autos
No fim de 2025, a Polícia Federal informou ao STF que apurava citações ao nome de Fábio Luiz no inquérito. Em representação enviada à Corte, os investigadores registraram que ele "em tese, poderia atuar como sócio oculto" de Antônio Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS". A corporação ressaltou, no entanto, que não "há indícios" de que ele "esteja diretamente envolvido nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos".
Conforme a PF, há três menções ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos autos. Uma delas decorre do depoimento de um ex-sócio de Antunes, que afirmou que Fábio Luís seria "sócio" do lobista em um projeto relacionado a medicamentos à base de cannabis. O depoente declarou ainda que ele teria recebido 25 milhões para um negócio de "kits de dengue", além de uma suposta "mesada" de R$ 300 mil mensais.
Outro ponto destacado pela investigação envolve a emissão de passagens aéreas sob o mesmo localizador para Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger. Segundo a PF, "foram identificadas passagens emitidas sob o mesmo localizador (código de identificação da reserva), o que indica a aquisição conjunta dos bilhetes e reforça o vínculo existente entre ambos". Os investigadores não informaram quem realizou o pagamento.
A terceira referência aparece em conversas entre Luchsinger e o lobista, nas quais haveria possíveis menções a Fábio Luiz. Em um dos diálogos, Antunes solicita a um funcionário o pagamento de R$ 300 mil para "o filho do rapaz".
Áudio menciona dispensa de licitação
A reportagem revelou ainda um áudio em que Roberta Luchsinger conversa com o "careca do INSS" sobre a possibilidade de contratação sem licitação para fornecimento de medicamentos à base de cannabis ao Ministério da Saúde.
O contrato mencionado não foi adiante. Luchsinger, ex-candidata a deputada estadual pelo PT e apontada como amiga de Lulinha, foi alvo de mandado de busca e apreensão na última fase da operação. Segundo as investigações, ela teria prestado serviços de consultoria ao lobista, recebendo R$ 1,5 milhão.
Em nota anterior, a defesa da empresária declarou que ela foi procurada por Antunes para atuar no mercado de canabidiol, mas que as atividades "se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar". O texto acrescenta: "Nenhum contrato público foi jamais celebrado e nem mesmo negociado".
Possível delação na Operação Sem Desconto
Parte dos investigados na Operação Sem Desconto negocia acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. Entre eles está o ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho, preso desde novembro de 2025 sob suspeita de envolvimento no esquema de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas. A eventual delação ainda depende de homologação do Supremo Tribunal Federal.

