"É hora de dar qualidade de vida ao povo. Não é possível mais a escala 6x1", afirma Gleisi
Ministra defende debate urgente no Congresso e diz que medida impacta especialmente mulheres com dupla jornada
247 - A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), defendeu nesta terça-feira (10) a necessidade de o Congresso Nacional enfrentar com urgência o debate sobre a escala de trabalho 6x1 no Brasil, na qual o trabalhador atua seis dias por semana e descansa apenas um. Segundo ela, a pauta deve ser tratada como prioridade para garantir mais qualidade de vida à população, sobretudo às mulheres, que enfrentam dupla jornada.
A declaração foi feita durante discurso de Gleisi na tribuna da Câmara dos Deputados, em sessão solene em homenagem aos 46 anos do PT. Na ocasião, a ministra exaltou a trajetória da legenda, defendeu as realizações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reforçou que o partido precisa se preparar para enfrentar a extrema direita nas próximas eleições.
Durante sua fala, Gleisi destacou o orgulho de ter presidido o PT e ressaltou o papel histórico do partido na política brasileira. “Muitas coisas me orgulharam na minha vida, mas nada me orgulhou tanto como ser presidenta do Partido dos Trabalhadores”, afirmou.
Ela também saudou o novo presidente do partido, Edinho Silva, apontando a missão política de conduzir o PT em busca de uma nova vitória eleitoral. “Quero saudar o nosso presidente Edinho Silva, que assume uma tarefa importante, de conduzir esse país para a quarta vitória do presidente Lula para a Presidência da República”, disse.
Ao comentar os 46 anos do PT, Gleisi avaliou que a legenda, apesar de jovem na história política nacional, acumula experiência e densidade. “46 anos não é pouco tempo, mas é juventude para um partido, se considerar a história do país”, declarou. Para ela, o PT se consolidou como referência nacional e internacional, tendo vencido cinco eleições presidenciais e alcançado o segundo lugar nas disputas em que não saiu vencedor.
Gleisi também enfatizou a origem social diversa do partido e afirmou que a legenda se construiu a partir da participação popular e democrática. “Esse partido é diferenciado. E não tem prepotência. Tem construção, mistura do povo operário, dos camponeses, dos populares, das universidades, das igrejas. E com uma democracia muito efetiva”, afirmou.
Em outro trecho, a ministra defendeu que os governos petistas sempre estiveram voltados para atender a população e citou a resistência do partido mesmo em períodos de perseguição política. “Em todas as vezes o partido governou para o povo. Por isso voltamos. Quantas vezes disseram que iríamos acabar?”, questionou, ao lembrar o período em que Lula esteve injustamente preso.
Gleisi também fez críticas ao governo Jair Bolsonaro (PL), classificando-o como um “desastre” e afirmando que o atual governo do presidente Lula atua na reconstrução do Estado brasileiro. Ela afirmou que a destruição das políticas públicas e de valores sociais durante a gestão anterior poderia ter sido mais enfatizada na transição, mas ressaltou que o governo atual avançou em ritmo acelerado. “Falamos pouco, mas reconstruímos muito. Fizemos em três anos coisas que fizemos em quase quatro mandatos”, declarou.
Ao defender os resultados da atual administração, Gleisi disse que o país vive um cenário econômico positivo. “A economia do Brasil hoje está muito bem e muito sólida. Temos a menor inflação, crescimento, emprego, inclusão social”, afirmou. Ela também destacou como conquista o retorno do Brasil fora do Mapa da Fome. “Tiramos de novo o Brasil do Mapa da Fome. De novo foi o PT e de novo foi Lula”, disse.
A ministra ressaltou ainda que uma das marcas do atual governo do presidente Lula é a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Segundo ela, a medida representa um avanço histórico ao cobrar mais dos setores mais ricos. “Pela primeira vez o andar de cima, que não pagava tributo, começou a pagar”, afirmou, defendendo que o tema abre caminho para uma reforma tributária voltada à renda e ao patrimônio.
Na parte final do discurso, Gleisi afirmou que o país precisa avançar em novas pautas sociais, com foco em melhorar a vida cotidiana da classe trabalhadora. “Ao lado de melhorar as condições econômicas do trabalhador, com aumento da renda, está na hora de a gente dar qualidade à vida desse povo”, declarou.
Foi nesse contexto que a ministra defendeu o fim da escala 6x1 como prática predominante no mercado de trabalho brasileiro. “Não é possível mais a gente ter a escala 6x1 como trabalho no Brasil, as pessoas trabalharem seis dias por semana e descansarem um”, disse. Gleisi apontou que a situação afeta de forma mais intensa as mulheres. “E isso atinge principalmente as mulheres, com dupla jornada”, completou.
Ela afirmou que o debate deve ser conduzido com rapidez e determinação dentro do Legislativo e envolvendo a sociedade. “É preciso, com rapidez e determinação, fazer esse debate nessa Casa, trazendo a sociedade. Essa é a bandeira que temos que levar, de qualidade de vida do povo brasileiro”, afirmou.
Além da questão trabalhista, Gleisi defendeu que o governo e o PT devem apresentar respostas para o problema da segurança pública. Segundo ela, o partido e o governo do presidente Lula tiveram coragem de enfrentar o crime organizado e precisam avançar com propostas no Congresso. “Tem a PEC da Segurança, o PL Antifacção, que precisamos aprovar. Temos sim um projeto de segurança pública para esse país”, disse.
No encerramento do discurso, Gleisi reforçou a necessidade de mobilização política e de enfrentamento direto à extrema direita. “Não temos o direito de deixar a extrema direita ganhar”, afirmou. Ela também destacou o combate a tentativas golpistas e afirmou que, pela primeira vez, envolvidos em ações desse tipo estão presos. “Foi esse partido que conseguiu enfrentar um golpe. E pela primeira vez os golpistas estão presos e pagando pelo que cometeram”, declarou.
Por fim, a ministra demonstrou confiança em uma nova vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu que o partido se prepare para o embate político. “Vamos ganhar essa eleição de novo. Lula vai subir pela quarta vez a rampa do Palácio do Planalto, mas vamos ter que estar preparados, para o debate e para a luta”, disse, ressaltando que a disputa não deve se limitar ao histórico de realizações, mas também às ideias e ao projeto político defendido pelo PT.


