BNDES recebe R$ 8,5 bilhões em pedidos no Brasil Soberano
Nova fase do Brasil Soberano já tem R$ 2,4 bilhões aprovados e 176 operações realizadas pelo BNDES
247 - A nova etapa do Plano Brasil Soberano já acumula R$ 8,5 bilhões em pedidos de crédito encaminhados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com R$ 2,4 bilhões aprovados e 176 operações realizadas em menos de um mês.
As solicitações começaram a ser recebidas em 15 de maio e estão distribuídas entre quatro linhas de financiamento. A maior demanda foi registrada na modalidade Investimentos, que concentra R$ 4,33 bilhões em pedidos. Em seguida aparecem as linhas de Giro, com R$ 2,57 bilhões; Giro Exportação, com R$ 1,41 bilhão; e Bens de Capital, com R$ 170 milhões.
Do total de operações já realizadas, 79 envolveram empresas de grande porte e 97 foram destinadas a micro, pequenas e médias empresas, as MPMEs. A distribuição mostra a amplitude da nova fase do programa, voltada tanto a companhias com forte presença industrial e exportadora quanto a empresas de menor porte inseridas em cadeias produtivas estratégicas.
Setores industriais lideram operações
O maior número de operações ocorreu em setores industriais considerados relevantes. Foram 95 operações nessa categoria. Também tiveram destaque os exportadores com vendas para países em conflito, que somaram 44 operações, e os exportadores afetados pelas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos, com 34 operações.
Em menor escala, o BNDES também realizou operações com fornecedores que atendem empresas exportadoras, ampliando o alcance do crédito para segmentos conectados às cadeias produtivas atingidas por instabilidades externas.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que os números demonstram o papel estratégico do banco no apoio à economia brasileira.
“Esse desempenho reforça o BNDES como ferramenta fundamental da estratégia de desenvolvimento do país. Orientado pelas diretrizes do governo do presidente Lula, o Banco tem atuado para fortalecer a produção nacional, apoiar segmentos econômicos mais expostos às oscilações do cenário global e preservar empregos e investimentos. Em um contexto marcado por desafios como os impactos do tarifaço e os conflitos no Oriente Médio, o BNDES vem contribuindo para dar segurança, competitividade e perspectivas de crescimento à economia brasileira”, disse Mercadante.
Alimentos lideram recursos aprovados
Entre os setores com maior volume de recursos já aprovados, produtos alimentícios aparecem na liderança, com R$ 800 milhões. Na sequência estão petróleo e combustível, com R$ 300 milhões; produtos de metal, com R$ 296 milhões; máquinas e equipamentos, com R$ 162 milhões; e comércio, com R$ 161 milhões.
A concentração de aprovações em áreas como alimentos, metalurgia, máquinas e combustíveis reflete a prioridade dada a segmentos com peso na produção nacional, nas exportações e na estrutura industrial brasileira.
Quem pode acessar o crédito
De acordo com a Portaria Interministerial publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Ministério da Fazenda, três grupos de empresas têm direito ao crédito na nova etapa do Brasil Soberano.
O primeiro grupo reúne empresas exportadoras de bens industriais e seus fornecedores afetados por medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos. Para se enquadrar, o faturamento bruto com exportações deve ter representado 5% ou mais do valor apurado no período de 12 meses entre 1º de julho de 2024 e 30 de junho de 2025. Estão incluídas empresas dos setores de aço, cobre, alumínio, automotivo e moveleiro.
O segundo grupo inclui empresas de setores industriais de média-baixa, média-alta ou alta intensidade tecnológica com relevância na balança comercial brasileira. Também entram nessa categoria setores identificados para adaptação ou modernização produtiva em razão de acordos comerciais, além daqueles considerados estratégicos para a transição rumo a uma economia de baixo carbono.
Nesse grupo estão empresas dos ramos têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, de máquinas e equipamentos, aparelhos elétricos, eletrônicos e de informática, borracha e plástico, equipamentos de transporte, além de minerais críticos.
Apoio a exportadores para o Oriente Médio
O terceiro grupo contempla empresas exportadoras de bens industriais, e seus fornecedores, com vendas destinadas a países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã.
Nesse caso, o faturamento bruto com exportações deve representar 5% ou mais do valor apurado no período de 12 meses entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2025.
Segundo os dados divulgados, 34 operações já foram realizadas com exportadores impactados pelo tarifaço dos Estados Unidos. O resultado indica a busca de empresas brasileiras por instrumentos de financiamento diante de um cenário internacional marcado por barreiras comerciais, conflitos regionais e maior pressão sobre cadeias globais de produção.



