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Governo Lula anuncia investimentos de R$ 4,6 bilhões em aeroportos

Plano com apoio do BNDES prevê modernização de 11 terminais, ampliação da capacidade para 40 milhões de passageiros e geração de quase 3 mil empregos

Da esq. para a dir.: Lula (presidente da República), Silvio Costa Filho (ministro de Portos e Aeroportos) e Geraldo Alckmin (vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa, nesta quarta-feira (11), no Palácio do Planalto, da cerimônia de apresentação do Plano de Investimentos em Ampliação e Modernização de Aeroportos, que prevê apoio de R$ 4,64 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obras em 11 aeroportos administrados pela Aena. O projeto integra o Novo PAC e projeta alavancar R$ 9,2 bilhões em investimentos, além de estimular a geração de empregos diretos e indiretos. 

O plano contempla os aeroportos de Congonhas (SP), Campo Grande (MS), Ponta Porã (MS), Corumbá (MS), Santarém (PA), Marabá (PA), Carajás (PA), Altamira (PA), Uberlândia (MG), Uberaba (MG) e Montes Claros (MG). A iniciativa faz parte da estratégia do governo federal de ampliar a conectividade aérea, modernizar a infraestrutura aeroportuária e impulsionar o desenvolvimento regional.

Atualmente, os 11 aeroportos movimentam cerca de 29 milhões de passageiros por ano. Com a modernização e o aumento da capacidade operacional, o bloco passa a estar preparado para receber mais de 40 milhões de passageiros anualmente, fortalecendo a integração entre capitais e cidades do interior e ampliando a interiorização do tráfego aéreo.

Congonhas concentra maior volume de investimentos

Dentro do conjunto de obras previstas, o Aeroporto de Congonhas concentra a maior fatia dos investimentos. O projeto inclui a construção de um novo terminal de passageiros, que mais do que dobra a área atual, saindo de 40 mil metros quadrados para 105 mil metros quadrados.

Além disso, o plano prevê ampliação do pátio de aeronaves, aumento do número de pontes de embarque — de 12 para 19 — e expansão da área comercial, que ultrapassa 20 mil metros quadrados. Segundo os dados divulgados, Congonhas atinge 29,60% de execução total das obras. No lado ar, as intervenções chegam a 9,80%, enquanto no lado terra a execução registra 1,80%, refletindo o cronograma concentrado nas etapas iniciais de preparação estrutural.

Avanço das obras no Pará, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul

No Pará, o aeroporto de Altamira lidera o avanço das obras, atingindo 70,48% de execução total, com destaque para o lado ar, que chega a 91,43%. Marabá registra 64,87% de execução total, Carajás alcança 66,65%, enquanto Santarém apresenta 45,41%, com frentes de trabalho em andamento tanto no lado ar quanto no lado terra.

Em Minas Gerais, Uberlândia alcança 63,06% de execução total, com avanço de 66,87% no lado ar. Montes Claros registra 58,51%, enquanto Uberaba chega a 56,13%, com evolução das obras estruturais previstas para esta fase da concessão.

Já em Mato Grosso do Sul, Ponta Porã se destaca com 79,61% de execução total, praticamente alinhada ao previsto. Corumbá atinge 67,10%, e Campo Grande chega a 60,43%, com forte avanço no lado ar, que alcança 85,31%, indicando evolução expressiva das intervenções.

Financiamento soma R$ 5,7 bilhões e inclui emissão de debêntures

O plano integra uma das maiores operações de financiamento da história da aviação brasileira. A emissão de debêntures é coordenada pelo BNDES em sindicato com o Santander, totalizando R$ 5,3 bilhões.

O apoio do banco público inclui a subscrição de debêntures no valor de R$ 4,24 bilhões e um financiamento adicional pela linha Finem, de R$ 400 milhões. Somando a emissão de debêntures com o crédito via Finem, o financiamento total destinado à Aena chega a R$ 5,7 bilhões.

Projeto prevê quase 3 mil empregos e conclusão até 2028

Durante a implantação do plano, a estimativa é de geração de cerca de 2,8 mil empregos diretos e indiretos. Após a conclusão das obras, o projeto projeta a criação de mais de 700 novos postos de trabalho.

A chamada Fase I-B das concessões prevê ampliação e adequação dos aeroportos para atender especificações mínimas de infraestrutura, aumentar a capacidade operacional e promover melhorias estruturais e de sustentabilidade. O prazo de conclusão é junho de 2028 para o Aeroporto de Congonhas e junho de 2026 para os demais terminais.

Modelo financeiro busca reduzir riscos e garantir funding de longo prazo

O financiamento é estruturado pelo BNDES no formato de project finance non recourse, em que o pagamento ocorre com base no fluxo de receitas do próprio projeto. Segundo o modelo descrito, após a conclusão das obras a Aena pode refinanciar a dívida em condições potencialmente melhores, por meio de um mecanismo de mudança no custo financeiro (repricing).

O formato busca permitir redução do custo da dívida, eliminar o risco de rolagem e assegurar funding de longo prazo, beneficiando usuários, investidores e a execução do projeto.

Aena amplia presença no Brasil e mantém liderança global

A Aena é apresentada como a maior operadora aeroportuária do mundo em número de passageiros, administrando 46 aeroportos e dois heliportos na Espanha. A empresa também detém 51% do Aeroporto de Londres-Luton e atua no México, com 12 aeroportos, e na Jamaica, com dois.

No Brasil, além dos 11 aeroportos incluídos no plano atual, a operadora administra Recife (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE), João Pessoa (PB), Juazeiro do Norte (CE) e Campina Grande (PB), que também contam com apoio do BNDES, no valor de R$ 1,04 bilhão.

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