Notas de Flávio Bolsonaro indicam mudança na chapa de Tarcísio e risco em Minas
Rascunho atribuído ao senador expõe estratégias eleitorais do PL, disputa por vagas ao Senado e avaliação interna sobre cenários estaduais
247 - Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez anotações manuscritas com avaliações e estratégias do Partido Liberal (PL) para as eleições deste ano. Segundo a publicação, o documento traz observações sobre alianças estaduais, possíveis composições de chapas e impressões reservadas sobre lideranças políticas.
De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o texto escrito à mão recebeu o título “situação nos estados” e reúne uma lista impressa de nomes acompanhada de comentários acrescentados manualmente. As anotações teriam sido feitas após reuniões com o coordenador de campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto.
Flávio Bolsonaro comentou o conteúdo do papel e afirmou que os registros não refletem necessariamente sua opinião pessoal. “As anotações que tinham naquele pedaço de papel, não são o que eu penso. As pessoas com quem eu conversei falavam sobre suas impressões, suas opiniões, e eu anotava naquele papel para, num segundo momento, aproveitar ou não o que as pessoas estavam falando para mim”, disse.
Entre os pontos destacados no rascunho, aparece no topo da primeira página a expressão “ligar Tarcísio”, em referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve disputar a reeleição. As anotações tratam de possíveis mudanças na vaga de vice na chapa paulista. O nome do atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), está ligado por uma seta a um símbolo de cifrão. Ramuth é alvo de investigação por suposta lavagem de dinheiro, revelada na semana passada, e nega irregularidades.
Logo abaixo, consta a pergunta “André do Prado vice?”, em menção ao presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, filiado ao PL, que tentaria ocupar o posto. O rascunho também relaciona nomes para a disputa ao Senado na chapa alinhada ao bolsonarismo. Além do deputado Guilherme Derrite (PP), aparecem como possibilidades Renato Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Ricardo Mello Araújo e Marco Feliciano.
Minas Gerais
No cenário mineiro, as anotações indicam avaliação negativa sobre o vice-governador Mateus Simões (PSD), que deve concorrer ao governo do estado. Ao lado do nome consta a observação “me puxa para baixo”. O texto manuscrito também registra: “Se for candidato, Cleitinho e Pacheco também são”, citando os senadores Rodrigo Pacheco (PSD) e Cleitinho (Republicanos).
O PL avalia lançar o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, ao governo estadual. Ao lado de seu nome aparece a anotação “conversa com Nikolas”, em referência ao deputado federal Nikolas Ferreira, que já foi cogitado como candidato ao Executivo mineiro, mas não pretende disputar o cargo.
Para o Senado em Minas Gerais, estão listados os nomes de Carlos Viana (Podemos), Marcelo Aro (PP), Eros Biondini (PL) e Domingos Sávio (PL). Apenas Viana e Sávio têm um traço de endosso ao lado do nome no documento.
Pernambuco
Em Pernambuco, as anotações indicam apoio do PL à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), mesmo diante de sua proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O rascunho aponta que Raquel apoia o deputado Mendonça Filho ao Senado e que ele poderia migrar do União Brasil para o PL.
O conteúdo atribuído a Flávio Bolsonaro expõe bastidores das articulações do PL nos estados, revelando disputas internas por vagas estratégicas e avaliações sobre riscos eleitorais em regiões-chave do país.


