HOME > Mundo

Pressão interna cresce e Starmer pode renunciar já na próxima semana, diz Bloomberg

Escândalo envolvendo Peter Mandelson e Jeffrey Epstein provoca crise no governo trabalhista, derruba chefe de gabinete e abre disputa por sucessão

Primeiro-ministro britânico, Keir Starmer 19/01/2026 Jordan Pettitt/Pool via REUTERS (Foto: Jordan Pettitt/Pool via REUTERS)

247 – A permanência do primeiro-ministro britânico Keir Starmer no cargo entrou em forte desgaste dentro do próprio Partido Trabalhista. Segundo a agência Bloomberg, que cita fontes da legenda governista, Starmer pode ser forçado a renunciar já na próxima semana, diante da crise política desencadeada pelo escândalo envolvendo a nomeação de Peter Mandelson, apontado como próximo do financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes de pedofilia.

As informações foram divulgadas pela agência russa TASS nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, ao repercutir reportagem da Bloomberg sobre o clima de instabilidade em Downing Street e a crescente insatisfação entre parlamentares trabalhistas. De acordo com a apuração, o episódio abalou a confiança interna no primeiro-ministro e abriu discussões abertas sobre sua permanência no cargo.

Nomeação sob suspeita e crise política em cadeia

O foco da crise está na decisão de Starmer de autorizar a indicação de Mandelson para um posto diplomático de alto nível, a embaixada britânica nos Estados Unidos. A escolha gerou desconforto imediato dentro do Partido Trabalhista e passou a ser vista como um erro político grave após a divulgação de detalhes sobre a relação de Mandelson com Epstein.

Segundo a Bloomberg, deputados trabalhistas demonstraram surpresa com o fato de Starmer ainda se manter no cargo, justamente por ter sido ele quem deu aval à nomeação agora considerada politicamente tóxica. A avaliação interna é de que o primeiro-ministro subestimou o impacto do caso e perdeu capacidade de controle da narrativa.

Investigação criminal aprofunda desgaste

A situação se agravou em 3 de fevereiro, quando a Scotland Yard abriu uma investigação criminal contra Mandelson, suspeito de ter repassado informações confidenciais do governo britânico a Jeffrey Epstein. Conforme noticiado pela imprensa britânica, a polícia realizou buscas em duas residências de Mandelson no dia 6 de fevereiro, ampliando a repercussão pública do escândalo.

Esses desdobramentos transformaram um problema político em uma crise institucional, com reflexos diretos sobre a autoridade do primeiro-ministro e a estabilidade do governo trabalhista.

Queda do chefe de gabinete agrava instabilidade

O escândalo já produziu consequências diretas no núcleo do poder. No domingo, Morgan McSweeney, chefe de gabinete de Keir Starmer, apresentou sua renúncia. McSweeney ocupava o cargo desde outubro de 2024 e era considerado uma das figuras mais influentes do governo.

Ele foi o principal estrategista da campanha eleitoral de julho de 2024, que levou o Partido Trabalhista de volta ao poder após 14 anos na oposição. Sua saída foi interpretada como um sinal claro de que a crise alcançou o centro da estrutura política de Downing Street.

Após a renúncia, Jill Cuthbertson e Vidhya Alakeson, que atuavam como adjuntas de McSweeney, foram nomeadas chefes de gabinete interinas, em uma tentativa de garantir alguma continuidade administrativa em meio ao caos político.

Artigos Relacionados