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Presidente do Irã acusa violação de cessar-fogo após ataques contra ilhas do país persa

Declaração ocorre em meio a bombardeios no Líbano e tensão crescente na região. Irã anunciou novo fechamento do Estreito de Ormuz em resposta aos ataques

Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, durante entrevista coletiva em Teerã 19/02/2025 (Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS)

247 - O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o cessar-fogo no Oriente Médio foi violado após ataques terem sido registrados contra ilhas iranianas no Golfo, nesta quarta-feira (8) em um cenário marcado pela intensificação dos bombardeios no Líbano e pelo aumento da tensão regional. Segundo o G1, Pezeshkian relatou que explosões foram registradas nas ilhas iranianas de Lavan e Siri. O presidente, no entanto, não indicou a origem dos ataques.

Escalada militar no Líbano

A crise se agravou com uma nova onda de bombardeios israelenses no Líbano. Segundo o Ministério da Saúde libanês, ao menos 254 pessoas morreram apenas nesta quarta-feira, número que pode crescer devido à possibilidade de vítimas sob os escombros.

O governo libanês informou que os ataques atingiram áreas densamente povoadas e solicitou que a população libere as ruas de Beirute para facilitar a circulação de ambulâncias. O primeiro-ministro Nawaf Salam acusou Israel de ignorar esforços internacionais pela paz.

O Exército israelense declarou ter realizado “a maior onda de bombardeios” da guerra contra o Hezbollah, atingindo mais de 100 centros de comando e instalações militares. “Este é o maior ataque realizado contra a infraestrutura do Hezbollah desde o início da Operação ‘Leão Rugindo’ (...) Continuaremos atingindo a organização terrorista e utilizaremos todas as oportunidades operacionais”, afirmaram os militares.

Nesta linha, o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira e ameaçou interromper o cessar-fogo caso as Forças Armadas de Israel não interrompa os ataques ao território libanês. 

Tensão cresce no Golfo  e Paquistão pede moderação

Países do Golfo também relataram ataques atribuídos ao Irã. O Catar informou que mísseis e drones foram interceptados, enquanto uma fonte da Arábia Saudita afirmou que um oleoduto foi alvo de ataque poucas horas após o início da trégua, anunciada na terça-feira (7). O acordo previa a suspensão de ações retaliatórias por parte do Irã contra países aliados dos Estados Unidos.

Diante da escalada, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu que todas as partes respeitem o cessar-fogo e alertou que as violações prejudicam as negociações para encerrar a guerra.

Irã promete resposta em meio às negociações

Autoridades iranianas afirmaram que o país irá “punir” Israel pelos ataques ao Hezbollah e informaram que as Forças Armadas já estão “identificando alvos para responder” às ações recentes.

Na frente diplomática, representantes do Irã e dos Estados Unidos devem se reunir em Islamabad na sexta-feira (10) para discutir um possível acordo de paz. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia ameaçado novos ataques, mas decidiu adiar a ofensiva por duas semanas, condicionando a decisão à reabertura do Estreito de Ormuz.

A Casa Branca classificou a operação militar como um sucesso. “Esta é uma vitória para os Estados Unidos, conquistada pelo presidente Trump e pelas nossas forças armadas”, disse a porta-voz Karoline Leavitt. “Graças às nossas capacidades militares, alcançamos e superamos os principais objetivos em 38 dias.”

Do lado iraniano, o governo afirmou que os Estados Unidos aceitaram as condições propostas por Teerã. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou a reabertura do Estreito de Ormuz e disse que a navegação será retomada com segurança.

Apesar das negociações em andamento, os ataques recentes e as acusações mútuas indicam que o cessar-fogo permanece frágil, com risco de agravamento do conflito no Oriente Médio.

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