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      Milhares de israelenses saem às ruas exigindo que Netanyahu aceite proposta de cessar-fogo com o Hamas

      É a última chance de salvar vidas, dizem familiares de prisioneiros em poder da resistência palestina

      Pessoas marcham durante uma manifestação contra o governo israelense e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e exigem a libertação de todos os prisioneiros de Gaza (Foto: REUTERS/Ronen Zvulun)

      247 - Milhares de pessoas participaram neste sábado (23) de manifestações em Tel Aviv e em diversas cidades de Israel exigindo um acordo imediato com o Hamas para a libertação de prisioneiros e um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Os atos, registrados pelo The Times of Israel, reuniram tanto familiares de prisioneiros quanto movimentos contra a guerra, que acusam o governo de Benjamin Netanyahu de colocar vidas em risco ao priorizar uma ofensiva militar sobre negociações.

      As manifestações ocorreram após Netanyahu anunciar, na última quinta-feira, que autorizou novas rodadas de diálogo visando a devolução de 50 reféns, ao mesmo tempo em que avança planos de uma operação para conquistar a Cidade de Gaza. O Hamas, por sua vez, declarou que aceitou uma proposta que prevê a libertação de 10 reféns vivos e dos corpos de outros 18 durante um cessar-fogo de 60 dias, acompanhado da soltura de centenas de prisioneiros palestinos.

      Vozes de familiares cobram Netanyahu

      Na Praça dos Reféns, em Tel Aviv, Liran Berman, que teve os irmãos Gali e Ziv capturados em 7 de outubro de 2023, acusou o primeiro-ministro de negligenciar as negociações:

      “Ele fala sobre negociações, mas na prática ele as está sacrificando”, afirmou.

      Outra voz marcante foi a de Roni Adar, irmã de Tamir Adar, morto em combate contra o Hamas em outubro de 2023 e cujo corpo foi levado para Gaza. Ela ainda relatou ter sido hostilizada nas ruas por usar uma camiseta com a imagem do irmão.

      Pressão contra a operação em Gaza

      Em um protesto paralelo, Itzik Horn, cujo filho Eitan segue sob poder do Hamas, desafiou Netanyahu a assumir pessoalmente os riscos de sua estratégia militar:

      “Se acredita que tomar a Cidade de Gaza trará os reféns de volta, mande seus próprios filhos para lutar lá”, disse.

      Horn alertou que o primeiro-ministro terá responsabilidade direta caso a operação resulte na morte de prisioneiros ou soldados: “Não quero receber Eitan em um saco de náilon.”

      Durante os atos, manifestantes chegaram a acender fogueiras, rapidamente apagadas pela polícia. Zahiro Mor, sobrinho de Avraham Munder, prisioneiro morto em Gaza, acusou o governo de sabotar ativamente as negociações:

      “Estamos vendo o torpedeamento das tratativas. Vamos encher as ruas para mostrar nossa fúria.”

      Protesto anti-guerra reúne judeus e árabes

      Além das mobilizações em favor dos prisioneiros, milhares participaram de uma manifestação contra a guerra na Praça Habima, em Tel Aviv, organizada pelo Comitê de Seguimento da População Árabe de Israel e grupos de direitos humanos.

      Com cartazes acusando Israel de genocídio em Gaza, os participantes entoaram palavras de ordem como “Parem de matar crianças” e “Acabem com a ocupação”. A deputada Aida Touma-Sliman compartilhou imagens da mobilização e declarou:

      “A posição moral pela vida, justiça e igualdade não precisa de permissão, apenas exige que você seja humano.”

      A polícia havia tentado limitar a manifestação a 500 pessoas, mas milhares compareceram. Uma manifestante de 61 anos foi detida por incitação após entoar slogans em apoio a Gaza.

      Um país dividido entre guerra e negociação

      Atualmente, 50 prisioneiros permanecem em poder de grupos armados na Faixa de Gaza — 20 deles ainda vivos, segundo o exército israelense. Outros 28 já foram confirmados mortos.

      Os protestos deste sábado evidenciam a crescente divisão dentro de Israel: de um lado, familiares exigindo um acordo urgente para salvar vidas; de outro, uma liderança política que insiste em expandir a guerra antes de concluir negociações.

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