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Irã diz que ameaça de Trump sobre "acabar" com civilização é "potencial genocídio" e promete reação "proporcional"

Teerã acusa presidente dos EUA de incitar crimes de guerra e promete resposta diante da crise no Estreito de Ormuz

Presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: Evan Vucci/Reuters)

247 - A escalada de tensão entre Irã e Estados Unidos ganhou novo capítulo após o presidente estadunidense, Donald Trump, afirmar que “uma civilização inteira morrerá” caso não haja acordo com Teerã. A declaração foi classificada pelo governo iraniano como incitação a crimes de guerra e potencial genocídio, em meio ao impasse no Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio global de petróleo.

Segundo o G1, a reação oficial foi apresentada pelo representante iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, durante sessão do Conselho de Segurança. Ele pediu que a comunidade internacional condene as falas de Trump e alertou para os riscos de uma escalada ainda maior no conflito.

Irã leva denúncia à ONU

Iravani afirmou que as declarações do presidente dos Estados Unidos representam uma ameaça grave ao direito internacional. “O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais”, declarou.

A crítica veio após Trump endurecer o discurso ao tratar das negociações com Teerã. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE?”, afirmou.

Ameaça de ataque amplia tensão

Em entrevista ao canal Fox News, Trump voltou a indicar a possibilidade de ação militar caso não haja avanço nas negociações. O jornalista Brett Baier relatou a posição do presidente: “Ele disse que, se chegarmos a esse ponto, haverá um ataque como nunca se viu antes. E ele mantém essa posição até o momento”.

O prazo estabelecido por Washington para um acordo coincide com o agravamento da crise no Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A instabilidade na região já impacta os preços globais de energia.

Mobilização interna no irã

Diante do cenário, autoridades iranianas intensificaram a mobilização interna. O secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, Alireza Rahimi, convocou diferentes setores da sociedade para proteger instalações estratégicas, como usinas de energia.

O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que milhões de cidadãos já se voluntariaram para defender o país. “Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã”, escreveu.

Clima de incerteza e impasse diplomático

Relatos indicam um ambiente de preocupação em Teerã. De acordo com a agência Associated Press, moradores descrevem um cenário de insegurança diante da possibilidade de novos ataques e de cortes de energia. Um jovem ouvido sob anonimato resumiu a situação: “Sinto que estamos presos entre as lâminas de uma tesoura”.

As negociações seguem sem solução. Uma proposta intermediada pelo Paquistão, que previa cessar-fogo imediato e prazo adicional para um acordo mais amplo, foi rejeitada pelo Irã. O governo iraniano, porém, prefere negociar diretamente o fim definitivo do conflito, o que mantém o impasse e amplia o risco de agravamento da crise internacional.

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