Impacto econômico da guerra no Oriente Médio dependerá de duração e danos à infraestrutura e indústrias, diz dirigente do FMI
Dan Katz afirma que conflito pode afetar inflação, crescimento e mercados globais
Reuters — O impacto da guerra no Oriente Médio sobre a economia global dependerá da duração do conflito e dos danos à infraestrutura e às indústrias da região, especialmente se o aumento dos preços da energia será temporário ou persistente, afirmou nesta terça-feira (3) o número dois do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O primeiro vice-diretor-gerente do FMI, Dan Katz, declarou durante a conferência Future of Finance, do Milken Institute, em Washington, que, se houver incerteza prolongada decorrente do conflito e efeitos duradouros sobre os preços da energia, "eu esperaria que os bancos centrais fossem cautelosos e respondessem à medida que a situação evoluísse".
Ele afirmou que o conflito pode ser "muito impactante para a economia global em uma série de métricas, seja inflação, crescimento e assim por diante", mas ressaltou que ainda é cedo para formar uma convicção firme.
Antes dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e das contraofensivas na região, o FMI projetava crescimento sólido do Produto Interno Bruto (PIB) global de 3,3% em 2026, superando impactos de tarifas comerciais, em parte devido à continuidade do boom de investimentos em inteligência artificial e à expectativa de ganhos de produtividade.
Katz disse que o efeito econômico do conflito no Oriente Médio será influenciado por sua duração e por desdobramentos geopolíticos adicionais.
Mais cedo, o FMI informou que está monitorando os efeitos do conflito sobre o comércio e a atividade econômica, a disparada dos preços de energia e o aumento da volatilidade nos mercados financeiros.
"A situação permanece altamente fluida e acrescenta incerteza a um ambiente econômico global já incerto", afirmou o Fundo em comunicado divulgado em Washington.
Katz explicou que o FMI analisará os impactos diretos do conflito na região, incluindo danos à infraestrutura e interrupções em setores-chave.
"O turismo é um deles. O transporte aéreo. Se há danos físicos à infraestrutura, às instalações de produção, e a grande indústria na qual todos estarão focados é, naturalmente, a indústria de energia", disse.
O petróleo avançou novamente nesta terça-feira (3) após o Irã prometer atacar navios que atravessarem o Estreito de Ormuz. O Brent, referência global, subiu para 83 dólares por barril, alta de 15% em relação ao nível de sexta-feira.
Katz afirmou que espera que os bancos centrais "olhem além" de uma alta temporária nos preços da energia, dado o foco na inflação subjacente. No entanto, podem reagir caso um choque energético mais persistente provoque "uma desestabilização das expectativas de inflação".
Ele acrescentou que o pico inflacionário observado em 2022, após a pandemia de Covid-19, foi influenciado pelos impactos energéticos da invasão da Ucrânia pela Rússia, com maior repasse da inflação cheia para a inflação subjacente.
"Portanto, estou certo de que os bancos centrais, ao avaliarem como a situação geopolítica está se traduzindo nos mercados de energia, observarão as lições da pandemia e verificarão se podem aplicar algumas dessas lições na condução da política monetária", afirmou Katz.


