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Haddad avalia que 'no momento' conflito no Oriente Médio não altera perspectiva de queda de juros

Ministro afirma que cenário externo ainda não muda perspectiva do Copom e destaca resiliência do Brasil diante de eventual choque do petróleo

Fernando Haddad (Foto: Washington Costa/MF)

 247 - A escalada de tensões no Oriente Médio, envolvendo ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã, ainda não modifica, no curto prazo, a expectativa de início do ciclo de redução da taxa básica de juros no Brasil. A avaliação foi feita pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao comentar os desdobramentos do cenário internacional sobre a economia brasileira.

Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, o ministro avaliou que os reflexos do conflito sobre o país dependem da evolução dos acontecimentos, sobretudo em variáveis como câmbio e inflação.

Haddad ponderou que episódios de grande impacto geopolítico costumam gerar volatilidade, mas afirmou que é prematuro projetar mudanças abruptas na condução da política monetária. “Tudo é uma questão de momento, nós estamos falando de hoje. A gente não sabe como é que esse conflito vai acontecer, como é que as coisas vão suceder, mas é muito cedo para falar de uma reversão do que está mais ou menos contratado, que é um ciclo de cortes”, disse.

Para ele, tanto o excesso quanto a insuficiência podem prejudicar a atividade econômica. “Acertar a dose é a arte da política monetária. Você conduz as expectativas, você não pode se colocar como espectador de arquibancada. Você é um player e você tem que saber fazer conduzir as expectativas e a política econômica na direção correta para aplicar a dose correta”, afirmou.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para os dias 17 e 18 de março. Parte do mercado financeiro projeta que o encontro pode marcar o início do ciclo de afrouxamento monetário, após um período prolongado de juros elevados.

Brasil menos exposto a choque do petróleo

Mesmo com o agravamento da crise no Oriente Médio — que inclui ataques a pontos estratégicos e restrições à circulação no Estreito de Ormuz, rota fundamental para o escoamento de de cerca de 20% do petróleo mundial— Haddad avaliou que o Brasil reúne condições para enfrentar eventuais turbulências.

O ministro destacou fatores estruturais, como o volume de reservas internacionais, a produção do pré-sal e o fato de o país ser exportador líquido de petróleo. “O Brasil é grande o suficiente para se preparar e é autônomo o suficiente. O Brasil não depende de petróleo. O Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, sobretudo graças ao pré-sal, fruto de investimentos na Petrobras no segundo governo Lula”, declarou.

Disputa geopolítica envolve China e petróleo

Haddad também associou o avanço militar na região a um cenário mais amplo de rivalidade internacional, envolvendo a China e sua dependência energética. Segundo ele, as movimentações estratégicas têm como pano de fundo a disputa por influência global.

“Todas essas movimentações têm muito a ver com a China, mesmo na Venezuela quanto no Irã. A questão é o petróleo e a dependência da China da importação de 11 a 12 milhões de barris por dia de petróleo. Então são movimentos geopolíticos estratégicos que estão por trás disso, e um certo inconformismo com este advento, com essa novidade no cenário geopolítico internacional que é a força econômica e militar da China, que se tornou um desafio para o Ocidente”, afirmou.

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