Caso Epstein: novos documentos sugerem mais vínculos de Trump com o escândalo sexual e de pedofilia
Departamento de Justiça dos EUA mantém 47.635 arquivos fora do ar para revisão
247 – O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que 47.635 documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein permanecem temporariamente fora do ar para revisão, após questionamentos sobre a ausência de milhares de arquivos que deveriam integrar o material divulgado ao público. As informações foram reveladas em reportagem do The Wall Street Journal.
Uma análise conduzida pelo jornal norte-americano identificou que mais de 40 mil arquivos pareciam estar ausentes no conjunto de documentos publicados no site do Departamento de Justiça. Após o levantamento, uma porta-voz da instituição confirmou que dezenas de milhares de registros haviam sido retirados temporariamente para análise adicional e que deveriam ser republicados posteriormente.
Entre os documentos mantidos offline estão anotações do FBI que registram entrevistas realizadas em 2019 com uma mulher que apresentou acusações de má conduta sexual envolvendo Jeffrey Epstein e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. As alegações, segundo os registros, referem-se a fatos que teriam ocorrido na década de 1980, quando a mulher era menor de idade. As acusações não foram verificadas.
Trump nega qualquer irregularidade e afirmou que os arquivos relacionados a Epstein o “inocentam totalmente”.
Documentos incluem entrevistas do FBI
De acordo com os documentos examinados pelo Wall Street Journal, o FBI registrou uma série de quatro entrevistas realizadas com a mulher em 2019, após a prisão de Epstein naquele ano. Nos primeiros relatos, ela afirmou ter sido abusada pelo financista quando era adolescente e demonstrou hesitação em mencionar Trump.
Segundo as notas dos agentes federais, a mulher teria dito que compreendia que as acusações se referiam a fatos ocorridos décadas antes e que possivelmente já estavam fora do prazo legal para ações federais.
Durante os depoimentos, ela também descreveu um episódio em que Epstein teria organizado um encontro com Trump em Nova York ou Nova Jersey quando ela tinha entre 13 e 15 anos.
Nos registros do FBI, consta a afirmação de que ela teria sido “apresentada a alguém com dinheiro, muito dinheiro… Era Donald Trump”. A mulher também relatou outros dois encontros com Trump. As alegações não foram confirmadas por autoridades.
Ausência de arquivos levanta questionamentos
Os documentos que permaneceram fora do ar incluem formulários do FBI conhecidos como Form 302, usados para registrar entrevistas conduzidas por agentes federais. Um desses formulários foi divulgado anteriormente e descrevia acusações da mulher contra Epstein, mas três outros registros contendo referências a Trump não foram publicados inicialmente.
O Departamento de Justiça não explicou por que esses documentos específicos ficaram de fora da divulgação inicial. A instituição afirmou apenas que realiza uma revisão para identificar se algum material foi “classificado incorretamente durante o processo de revisão” e que, se isso ocorrer, os arquivos serão divulgados.
A legislação que determinou a publicação dos documentos — conhecida como Epstein Files Transparency Act — exige que grande parte dos registros governamentais seja tornada pública, incluindo entrevistas e declarações de testemunhas. O texto da lei permite exceções apenas em casos específicos, como duplicações, sigilo advogado-cliente, investigações em andamento ou arquivos completamente sem relação com os casos de Epstein ou de sua ex-associada Ghislaine Maxwell.
A lei também proíbe a retenção de documentos apenas por potencial constrangimento a figuras públicas.
Governo afirma agir com transparência
Autoridades do Departamento de Justiça afirmam que cumpriram a legislação e negam ter retido documentos para proteger Trump. Segundo a porta-voz da instituição, muitos arquivos permanecem fora do ar porque contêm imagens de nudez ou informações pessoais sensíveis de vítimas, que precisam ser redigidas antes da divulgação pública.
Ela afirmou:
"Este é o Departamento de Justiça mais transparente da história."
Segundo a porta-voz, o governo trabalha para remover informações identificáveis e imagens de natureza sexual, garantindo a proteção das vítimas antes de republicar os documentos.
Pressão política e investigação no Congresso
A revelação de que dezenas de milhares de arquivos ficaram de fora da divulgação inicial provocou reações políticas em Washington. Parlamentares do Partido Democrata afirmaram que pretendem investigar o caso, buscando entender por que tantos documentos foram retirados da publicação original.
A Casa Branca, por sua vez, defendeu a atuação do governo. A porta-voz Abigail Jackson declarou que Trump teria atuado mais do que qualquer outro líder para garantir transparência no caso Epstein.
Segundo ela:
"Ao divulgar milhares de páginas de documentos, cooperar com a intimação do Comitê de Supervisão da Câmara, sancionar a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein e pedir mais investigações sobre os amigos democratas de Epstein, o presidente Trump fez mais pelas vítimas de Epstein do que qualquer pessoa antes."
Histórico das acusações
A mulher que apresentou os relatos ao FBI também participou, em 2019, de uma ação judicial identificada como Jane Doe contra o espólio de Jeffrey Epstein. No processo, ela alegava ter sido abusada pelo financista por volta de 1984, quando tinha cerca de 13 anos.
A ação afirmava que Epstein teria transportado a adolescente para Nova York e a teria traficado para “homens ricos e influentes”, embora os nomes dessas pessoas não tenham sido mencionados no processo.
O caso acabou sendo retirado voluntariamente pela autora em 2021.
A denunciante também não foi considerada elegível para participar do Programa de Compensação às Vítimas de Epstein, que concedeu acordos financeiros a mais de 130 pessoas que afirmaram ter sido abusadas pelo financista. Os advogados da mulher não comentaram o caso.
Revisão continua
O Departamento de Justiça reiterou que todos os documentos considerados pertinentes serão divulgados online após a conclusão das revisões e das redações necessárias para proteger vítimas e informações sensíveis.
A controvérsia em torno dos arquivos reforça a pressão por maior transparência no escândalo envolvendo Jeffrey Epstein, cuja rede de relacionamentos com figuras políticas, empresariais e sociais de alto perfil continua sendo alvo de investigações e disputas políticas nos Estados Unidos.


