Governo Lula abre 35 processos contra casas de apostas por irregularidades na Copinha
Ministério da Fazenda investiga empresas do setor de apostas por oferta ilegal de jogos em torneio de base
247 - O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, instaurou 35 processos de sanção contra casas de apostas que ofereceram jogos ilegais durante a Copa São Paulo de Futebol Júnior, a tradicional Copinha. A legislação brasileira proíbe apostas em campeonatos de base, e em dezembro de 2024 uma nota técnica da Fazenda reforçou a vedação, estendendo também a proibição a patrocínios, propagandas em uniformes e inserções publicitárias nas transmissões do torneio. As informações são da Folha de S. Paulo.
De acordo com o secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena, algumas empresas desrespeitaram as determinações e terão de responder administrativamente. “Algumas casas de apostas acabaram por ofertar a chamada Copinha, que é para um público sub-21, e isso fez com que as empresas que ofertaram passassem por um processo sancionador”, declarou ao C-Level Entrevista, na última sexta-feira (22). Ele destacou ainda que as companhias tiveram espaço para se defender: “Tiveram ampla defesa, capacidade de se explicar, mas uma vez comprovada que a oferta foi feita, algumas penalidades [serão] aplicadas”.
Como funciona o processo de sanção
As apurações correm na Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), que atua em duas etapas. Na primeira, um órgão interno de fiscalização solicita esclarecimentos às empresas. Caso as respostas não sejam consideradas suficientes, o processo segue para uma subsecretaria responsável pela análise administrativa. Este setor avalia as evidências e decide pela aplicação ou não de sanções. Ainda há possibilidade de recurso dentro da própria secretaria, e, se negado, o caso pode ser encaminhado ao secretário da SPA.
A Fazenda informou que os nomes das casas de apostas envolvidas só serão divulgados após o fim de todas as instâncias de recurso.
Publicidade irregular na Copinha
O episódio não é isolado. Durante o torneio realizado em janeiro, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) identificou 32 anúncios irregulares de empresas de apostas em partidas da Copinha, conforme revelou o jornal O Globo. Foram registradas propagandas em placas de campo, inclusive em momentos de entrada de crianças, e também anúncios virtuais exibidos durante as transmissões.
Riscos para jovens e nota técnica do governo
O Ministério da Fazenda já havia alertado, em sua nota técnica publicada no fim de 2024, que a associação de apostas a torneios de base representa riscos severos para adolescentes e jovens adultos. “O evento esportivo da Copinha não pode se propor a associar jovens atletas ao mercado de apostas, a ser um espaço para estimular os jovens a apostar, ainda que indiretamente, sob pena de incentivar o desenvolvimento de comportamentos de risco, dependência e até mesmo endividamento”, dizia o documento.
Além disso, o texto apontava que a prática poderia trazer consequências negativas à saúde mental, às relações sociais e ao desempenho acadêmico dos jovens, reforçando a necessidade de fiscalização rigorosa sobre a atuação das bets em competições esportivas de categorias de base.
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