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“Arthur Lira é o pai do orçamento secreto”, afirma Glauber Braga

Deputado aponta presidente da Câmara como principal articulador do esquema e relaciona denúncias à investigação conduzida pelo STF e pela PF

“Arthur Lira é o pai do orçamento secreto”, afirma Glauber Braga (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

247 - O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) afirmou que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, é o principal responsável pela criação e pela sustentação do chamado orçamento secreto, mecanismo de distribuição de emendas parlamentares que está no centro de investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante entrevista ao programa Bom dia 247, ao comentar a autorização de uma acareação envolvendo Lira no âmbito de um inquérito conduzido pela Polícia Federal.

Segundo Glauber Braga, em entrevista ao Bom dia 247, a acareação solicitada pelo deputado José Rocha e autorizada pelo ministro Flávio Dino representa um momento relevante para confrontar versões e aprofundar a apuração sobre o funcionamento do esquema de emendas. Para o parlamentar, o procedimento pode evidenciar contradições nas declarações de Arthur Lira e reforçar a responsabilização dos envolvidos.

Ao tratar diretamente do papel do presidente da Câmara, Glauber foi categórico: “Arthur Lira é o pai do orçamento secreto”. Na avaliação do deputado, Lira teria sido o principal articulador político do modelo que permitiu a destinação de grandes volumes de recursos públicos sem transparência sobre os autores das indicações. “Ele mente desesperadamente em relação a essa questão. Ele é o principal articulador dessa fraude, desse esquema”, afirmou.

Glauber Braga relacionou a acareação às denúncias feitas pelo deputado José Rocha, que presidia uma comissão da Câmara e teria sido pressionado a redirecionar recursos originalmente aprovados para atender interesses políticos específicos. De acordo com o relato apresentado por Glauber, Rocha se recusou a cumprir a orientação e denunciou o episódio publicamente e à Polícia Federal, o que levou o caso a integrar o inquérito atualmente sob sigilo no STF.

Na entrevista, o deputado também associou o funcionamento do orçamento secreto à atuação de assessores ligados diretamente à presidência da Câmara. “Todo mundo sabe que a Tuca sempre trabalhou a partir da ordem direta dele”, disse, em referência à ex-assessora Mariângela Fialek, apontada nas investigações como peça-chave na operacionalização do redirecionamento das emendas.

Para Glauber Braga, a acareação é apenas uma etapa de um processo mais amplo. “A minha expectativa é que a acareação seja uma etapa até chegar à responsabilização de Arthur Lira”, afirmou. Ele destacou ainda que a condução do inquérito pelo ministro Flávio Dino tem provocado reação dentro do Congresso Nacional. “Esse é o medo do pessoal da Câmara, porque o Dino está indo mais a fundo nisso tudo”, avaliou.

O parlamentar observou que o avanço das investigações já resultou na condição de réus de deputados federais e em julgamentos previstos no Supremo. Na sua análise, a ofensiva política contra o STF está diretamente ligada ao receio de punições decorrentes do uso irregular das emendas parlamentares. “A briga contra o Supremo é muito mais por conta das emendas”, afirmou.

Ao final, Glauber Braga defendeu que práticas como a ocultação de autoria de emendas e a utilização de diferentes rubricas orçamentárias para driblar decisões judiciais já configuram ilegalidade. “Isso já é ilegal. É um descumprimento de uma decisão judicial do Supremo. Quem está descumprindo tem que ser responsabilizado”, concluiu, ao reiterar que a responsabilização não deve depender do Congresso, mas do andamento das investigações no STF e na Polícia Federal.

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