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Inflação de janeiro fica em 0,33% com pressão da gasolina e alívio na conta de luz

Alta de 2,06% na gasolina puxou o IPCA, enquanto queda de 2,73% na energia elétrica ajudou a conter a inflação, segundo dados do IBGE

Abastecimento de veículo em posto de gasolina - 18/04/2013 (Foto: Beawiharta Beawiharta/Reuters)

247 - A inflação oficial do país voltou a registrar alta de 0,33% em janeiro, repetindo o mesmo índice observado em dezembro de 2025. O resultado foi fortemente influenciado pelo aumento dos combustíveis, principalmente da gasolina, que subiu 2,06%, enquanto a energia elétrica residencial teve queda expressiva de 2,73%, ajudando a reduzir a pressão inflacionária no mês.

De acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o acumulado em 12 meses chegou a 4,44%, acima do índice registrado em janeiro do ano anterior, quando a inflação havia sido de 0,16%.

O grupo Transportes teve a maior contribuição para o resultado mensal, com avanço de 0,60%, representando impacto de 0,12 ponto percentual no IPCA. A elevação foi puxada principalmente pelos combustíveis, que subiram 2,14%. Além da gasolina, o etanol apresentou alta de 3,44%, o óleo diesel de 0,52% e o gás veicular de 0,20%.

Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, o peso desses itens no orçamento das famílias ajuda a explicar a influência no índice geral. “Na estrutura do IPCA a gasolina apresenta peso de 5,07% e a energia elétrica residencial de 4,16%, ou seja, são os subitens com as maiores participações nas despesas das famílias, na ótica do indicador”, afirmou.

Ele também explicou o motivo do recuo na energia elétrica e da alta da gasolina. “Na energia elétrica a queda veio, principalmente, por conta da mudança na bandeira tarifária de amarela (em dezembro) para verde (em janeiro). Na gasolina houve reajuste no ICMS a partir de 1º de janeiro, impactando o preço final para o consumidor.”

Conta de luz cai com bandeira verde e reduz impacto inflacionário

O grupo Habitação foi um dos poucos a registrar queda no mês, com recuo de 0,11%, influenciado diretamente pela redução na energia elétrica residencial, que teve o maior impacto negativo no índice geral (-0,11 p.p.).

Em dezembro, a bandeira tarifária estava em nível amarelo, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Já em janeiro, passou a vigorar a bandeira verde, sem cobrança extra, contribuindo para o alívio no bolso dos consumidores.

Além da Habitação, o grupo Vestuário também apresentou recuo de preços, com variação negativa de 0,25%.

Ônibus urbano sobe em capitais e pressiona transportes

Ainda dentro do grupo Transportes, o ônibus urbano subiu 5,14%, influenciado por reajustes em diversas capitais brasileiras. Entre os destaques estão Fortaleza (20,00%), São Paulo (6,00%), Rio de Janeiro (6,38%), Salvador (5,36%), Belo Horizonte (8,70%) e Vitória (4,16%).

Apesar do avanço, dois subitens ajudaram a conter a pressão no grupo: o transporte por aplicativo, que caiu 17,23%, e a passagem aérea, com recuo de 8,90%. Ambos vinham de altas fortes em dezembro, de 13,79% e 12,61%, respectivamente.

Comunicação tem maior variação do mês

O maior aumento entre os nove grupos do IPCA em janeiro foi registrado na Comunicação, com alta de 0,82%. O resultado foi impulsionado pelo avanço nos preços de aparelhos telefônicos (2,61%) e reajustes em planos que impactaram itens como tv por assinatura (1,34%) e o combo de telefonia, internet e tv (0,76%).

Já o grupo Saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,70%, com destaque para os artigos de higiene pessoal (1,20%) e o reajuste do plano de saúde (0,49%).

Alimentação desacelera e leite e ovos ficam mais baratos

O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 0,23%, desacelerando em relação a dezembro (0,27%). Dentro do domicílio, a alta foi ainda menor, de 0,10%, influenciada principalmente pela queda do leite longa vida (-5,59%) e do ovo de galinha (-4,48%).

Por outro lado, alguns itens tiveram forte aumento, como o tomate (20,52%) e as carnes (0,84%), com destaque para cortes como contrafilé (1,86%) e alcatra (1,61%).

Fernando Gonçalves destacou o peso do grupo no orçamento familiar. “Em termos dos nove grupos do IPCA, Alimentação e bebidas é o de maior peso (21,42%), o que significa que pouco mais de 1/5 das despesas das famílias é com alimentação, especialmente em casa.”

Ele acrescentou: “Em janeiro o grupo mostrou desaceleração na alta de preços (saiu de alta de 0,14% em dezembro para 0,10% em janeiro), em especial com a contribuição de subitens como o leite longa vida que recuou 5,59% e o ovo de galinha com -4,48%.”

Rio Branco registra maior inflação regional e Belém tem menor variação

Entre as 16 localidades pesquisadas pelo IBGE, Rio Branco (AC) teve a maior variação do IPCA em janeiro, com alta de 0,81%, influenciada principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial (5,34%) e dos artigos de higiene pessoal (1,75%).

Já a menor variação ocorreu em Belém (PA), com 0,16%, impactada pela queda na energia elétrica (-3,85%) e no preço da passagem aérea (-11,01%).

INPC sobe 0,39% e acelera em relação a dezembro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, teve alta de 0,39% em janeiro. O índice ficou 0,18 ponto percentual acima do resultado de dezembro, quando havia sido de 0,21%.

No acumulado de 12 meses, o INPC atingiu 4,30%, acima dos 3,90% registrados no período anterior. Em janeiro de 2025, o índice havia ficado em 0,00%.

Os produtos alimentícios desaceleraram, passando de 0,28% em dezembro para 0,14% em janeiro, enquanto os não alimentícios aceleraram de 0,19% para 0,47%.

Regionalmente, o maior resultado do INPC foi em Rio Branco (0,76%) e o menor em Recife (0,17%), influenciado pela queda na energia elétrica (-3,85%) e no transporte por aplicativo (-19,31%).

O IBGE informou que o próximo resultado do IPCA, referente a fevereiro, será divulgado em 12 de março.

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