Brasil produz R$ 220,5 bilhões em metais e reforça presença em exportações globais
Anuário Mineral Brasileiro 2025 mostra que substâncias metálicas e grafita responderam por 82% da produção mineral em 2024
247 - A produção brasileira de substâncias metálicas e grafita alcançou R$ 220,5 bilhões em 2024, consolidando o Brasil entre os principais exportadores globais do setor mineral. Os dados revelam o peso econômico da mineração no país e indicam a relevância crescente de minerais estratégicos para a transição energética, além do impacto direto nas exportações e na arrecadação pública.
As informações constam do Anuário Mineral Brasileiro 2025 (ano-base 2024), divulgado nesta segunda-feira (9) pela Agência Nacional de Mineração (ANM), com base em relatórios oficiais preenchidos pelas empresas mineradoras. O levantamento traz um panorama detalhado da produção, do comércio exterior e da movimentação econômica do segmento ao longo do último ano.
Segundo o anuário, o conjunto de 14 substâncias metálicas somadas à grafita respondeu por 82% do valor total da produção mineral brasileira em 2024. O documento também destaca que, desde o anuário com base em 2022, a ANM passou a incorporar substâncias consideradas estratégicas para a transição energética, mesmo que não sejam classificadas como metálicas — caso da grafita.
O diretor-geral da ANM, Mauro Sousa, afirmou que o objetivo do levantamento é ampliar a compreensão pública sobre o setor com base em informações verificáveis. “A mineração brasileira precisa ser compreendida a partir de dados, e não de percepções. O Anuário é um instrumento público a serviço desse debate”, declarou.
Minério de ferro lidera com R$ 159 bilhões
O minério de ferro foi o principal destaque econômico do anuário, atingindo R$ 159 bilhões em valor agregado. O relatório reúne informações obtidas a partir dos Relatórios Anuais de Lavra (RAL), enviados pelas mineradoras no primeiro semestre do ano seguinte ao período analisado, com dados completos sobre as atividades realizadas em 2024.
Além do ferro, o anuário inclui substâncias como grafita, alumínio, cobre, cromo, lítio, manganês, níquel e zinco, apontadas como essenciais para a transição energética global. O levantamento indica que o acompanhamento sistemático dessas informações serve como base para decisões estratégicas tanto no setor público quanto no privado, envolvendo mineração, indústria e cadeias produtivas associadas.
A superintendente de Economia Mineral da ANM, Inara Oliveira Barbosa, ressaltou que o anuário vai além de estatísticas e busca traduzir dados em análise econômica aplicável. “O Anuário Mineral Brasileiro traduz dados brutos em informação estratégica. Ele permite compreender não apenas o desempenho econômico da mineração, mas também seu papel estrutural no desenvolvimento regional, na transição energética e na inserção internacional do Brasil”, afirmou.
Exportações chegam a US$ 59,9 bilhões e saldo comercial atinge US$ 42 bilhões
O anuário também destaca o peso do setor na balança comercial brasileira. Em 2024, as substâncias analisadas geraram saldo comercial de US$ 42 bilhões, impulsionado por exportações de US$ 59,9 bilhões e importações de US$ 17,9 bilhões.
A China manteve-se como principal destino das exportações brasileiras de substâncias metálicas e, ao mesmo tempo, como o maior fornecedor desses produtos ao Brasil, segundo os dados apresentados pela ANM.
Mais de 270 minas em operação e arrecadação de R$ 7 bilhões em CFEM
No território brasileiro, o anuário registra a operação de mais de 270 minas relacionadas às substâncias analisadas, sendo 109 voltadas ao minério de ferro. O relatório também aponta a relevância fiscal da mineração por meio da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).
Em 2024, a arrecadação obtida com a produção das 14 substâncias metálicas e da grafita chegou a R$ 7 bilhões, reforçando o peso do setor mineral no financiamento de estados e municípios mineradores.
Para garantir o funcionamento da cadeia produtiva, a ANM informou ainda que concedeu, ao longo do período analisado, cerca de 4.800 autorizações de pesquisa, além de 56 concessões de lavra e 141 permissões de lavra garimpeira, refletindo o ritmo de expansão e regularização da atividade minerária no país.
O Anuário Mineral Brasileiro 2025, segundo a ANM, se consolida como uma das principais ferramentas oficiais para monitoramento do setor, reunindo dados econômicos e produtivos que ajudam a dimensionar o papel estratégico da mineração brasileira no cenário global.


