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      China deve abrir mercado bilionário para o etanol brasileiro

      Gigante asiático visa cumprir metas ambientais ambiciosas e vê o Brasil como fornecedor estratégico de biocombustível

      Xi Jinping e Lula (Foto: Presidência da República)
      Otávio Rosso avatar
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      247 - O etanol brasileiro produzido a partir da cana-de-açúcar pode ganhar protagonismo na transição energética da China, especialmente no setor de aviação civil. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o tema tem sido tratado em reuniões entre autoridades brasileiras e representantes da China Petroleum and Chemical Industry Federation (CPCIF) e da Chimbusco, subsidiária da PetroChina.

      A proposta em discussão envolve o uso do etanol nacional como base para a produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na sigla em inglês) no território chinês. A parceria, que pode movimentar bilhões de dólares, surge em um momento estratégico, em que a China busca cumprir metas ambientais ambiciosas: atingir 3% de SAF nos voos em até cinco anos e, até 2030, alcançar 50% — o equivalente a 46 milhões de toneladas por ano.

      Diante da escassez de terras agricultáveis disponíveis para a produção de etanol em seu próprio território, o governo chinês enxerga no Brasil um fornecedor estratégico. Entre as quatro rotas tecnológicas analisadas para produção de SAF (óleo reciclado, combustível sintético, hidrocarbonetos e etanol), o etanol da cana-de-açúcar se destaca como a mais viável para a cooperação bilateral, devido à escala produtiva e competitividade do setor sucroenergético brasileiro.

      Nesta terça-feira (12), em Pequim, o presidente chinês Xi Jinping afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que “a China está pronta para trabalhar com o Brasil para estabelecer um exemplo de unidade e autossuficiência entre os principais países do Sul Global”. Ainda segundo o líder chinês, “as relações entre a China e o Brasil estão em seu melhor momento na história”.

      A CPCIF informou ao governo brasileiro que está em fase final de elaboração de um protocolo técnico para padronizar o SAF, o que permitirá a adequação do etanol brasileiro às normas exigidas pela China. O tema é acompanhado de perto pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que realizou missão oficial ao país asiático em junho. Até o momento, a pasta não comentou publicamente as negociações.

      Outro passo importante deve ocorrer durante a COP30, em novembro, em Belém (PA), quando o Brasil pretende assinar um memorando de entendimento (MoU) com o China Council for the Promotion of International Trade (CCPIT). O documento deve oficializar a cooperação para práticas de comércio sustentável, incluindo biocombustíveis como o SAF.

      Além da questão técnica, as conversas entre os dois países incluem a criação de mecanismos de financiamento verde. Entre as opções estão fundos bilaterais e instrumentos financeiros do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O fundo China–Celac, voltado para a América Latina e Caribe, também é avaliado como fonte de financiamento para projetos como a recuperação de pastagens degradadas no Brasil — uma estratégia para ampliar a oferta de biomassa para biocombustíveis.

      Segundo Xi Jinping, há uma sinergia crescente entre a Iniciativa Cinturão e Rota e o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o que favorece o alinhamento estratégico. “O lado chinês está pronto para trabalhar com o Brasil para aproveitar oportunidades, fortalecer a coordenação e proporcionar mais resultados mutuamente benéficos de cooperação”, declarou.

      A cooperação técnica e financeira com a China também é vista como forma de reduzir a dependência de regras impostas por terceiros países, como os Estados Unidos, que atualmente investigam o etanol brasileiro sob a lei de Comércio de 1974 (Seção 301). Desde a imposição de tarifas mais altas pelo Brasil sobre o etanol americano, o setor tem enfrentado tensões com Washington.

      Em paralelo, Brasil e China trabalham na criação de um protocolo de certificação e rastreabilidade para produtos agropecuários, com foco em carne e soja. A proposta é que selos como “Carne Carbono Neutro” (CCN) e “Carne Baixo Carbono” (CBC), desenvolvidos pela Embrapa, sejam reconhecidos pelo mercado chinês como garantia de sustentabilidade.

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