Brasil tem potencial para liderar o hidrogênio verde, mas enfrenta entraves decisivos, aponta estudo
Levantamento da EY-Parthenon destaca custo competitivo do H2V no país, mas alerta para falhas em planejamento, regulação, infraestrutura e energia
247 - Um estudo da EY-Parthenon aponta que o Brasil reúne condições estratégicas para se tornar líder mundial na produção de hidrogênio verde (H2V), considerado essencial para a descarbonização da indústria pesada e do transporte de longa distância. Mas quatro gargalos podem comprometer esse protagonismo: ausência de planejamento nacional, lacunas regulatórias, limitações de infraestrutura e a necessidade de ampliar a oferta de energia renovável. A reportagem é do portal Exame.
“O hidrogênio verde é considerado ainda mais relevante na busca pelo carbono zero, especialmente em setores que têm mais dificuldades de reduzir suas emissões, como a indústria pesada e o transporte de longa distância (aéreo, por exemplo)”, explica Diogo Yamamoto, sócio da EY-Parthenon.
Custos competitivos e vantagem energética
Segundo a análise, o Brasil pode chegar a um custo de US$ 1,47 por quilo de H2V até 2030, valor que o coloca entre os países mais competitivos do mundo. A posição se deve à matriz elétrica majoritariamente limpa e à expansão acelerada das fontes renováveis. A projeção é de um crescimento de 19% na capacidade instalada até 2030, com destaque para o salto de 171% na energia solar e 103% na eólica.
Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) também reforçam o potencial: o Brasil já é o terceiro maior investidor em renováveis, respondendo por 8% da geração global.
Os quatro entraves estruturais
Apesar das vantagens, o estudo aponta desafios que precisam ser enfrentados para que o país não se limite ao papel de exportador de matéria-prima energética:
Planejamento nacional: falta uma estratégia integrada para o hidrogênio verde, com definição de metas e logística de distribuição interna.
Regulação e política industrial: o Brasil ainda não estabeleceu marcos regulatórios nem incentivos à fabricação de equipamentos estratégicos, como os eletrolisadores.
Infraestrutura: a rede de gasodutos brasileira não atende às especificações do H2V e está concentrada no litoral, dificultando o escoamento para polos industriais do interior.
Oferta de energia renovável: a eletrólise demanda volumes elevados de eletricidade, pressionando a expansão da capacidade solar e eólica. Além disso, o processo exige insumos críticos e novas tecnologias, como reuso de água e eletrólise da água salgada.
Modelos de produção em disputa
O estudo propõe dois caminhos para estruturar a cadeia de valor do hidrogênio verde:
Modelo descentralizado, com hubs espalhados pelo território, próximos a centros de demanda e fontes renováveis;
Modelo centralizado, com grandes plantas integradas a polos industriais e parques eólicos ou solares.
“Esses dois modelos podem ser utilizados de forma orquestrada. A maximização potencial das demandas nacionais e internacionais exige planejamento estratégico da economia H2V e um modelo de cadeia de valor adaptado às necessidades únicas do Brasil”, conclui Yamamoto.
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