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      América do Sul se consolida como nova fronteira global do petróleo

      Brasil, Guiana e Argentina lideram expansão que transforma a região na área de crescimento dinâmico – o que torna urgente a licença da Margem Equatorial

      Plataforma de perfuração de petróleo (Foto: Pavel Mikheyev/Reuters)
      Redação Brasil 247 avatar
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      247 – A América do Sul vive um momento de protagonismo no cenário energético mundial, impulsionada por descobertas e investimentos bilionários que prometem transformar a região na nova fronteira global do petróleo. Segundo reportagem da revista The Economist, o destaque vai para Brasil, Guiana e Argentina, cujos projetos e perspectivas colocam o continente no centro da atenção das maiores petroleiras do planeta.

      No último 5 de agosto, a britânica BP anunciou não apenas um lucro trimestral de US$ 2,4 bilhões — 30% acima do esperado por analistas —, mas também a maior descoberta de petróleo da companhia em 25 anos. O campo, batizado de Bumerangue, fica a cerca de 400 km da costa do Rio de Janeiro e já é visto como um marco para o setor brasileiro. A descoberta deve atrair ainda mais interesse para o leilão de blocos de petróleo previsto para outubro, que já conta com gigantes como Chevron, Shell e TotalEnergies na disputa.

      Brasil: potência em ascensão no Atlântico Sul

      A consultoria Rystad Energy projeta que a produção de petróleo bruto no Brasil suba 10% em 2025, ultrapassando 3,7 milhões de barris por dia (b/d). Além da Petrobras, que segue ampliando sua capacidade de exploração, a Equinor — estatal norueguesa — já atua em campos próximos ao Bumerangue. Analistas apontam que a descoberta reforça a atratividade de áreas estratégicas como a Margem Equatorial, considerada uma das últimas fronteiras exploratórias do planeta, com potencial para colocar o Brasil em um novo patamar na geopolítica do petróleo.

      A Margem Equatorial é uma extensa faixa marítima que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, com características geológicas semelhantes às bacias da Guiana e do Suriname, que já se tornaram grandes produtoras. Estudos indicam que a região pode abrigar reservas significativas de petróleo e gás natural, capazes de gerar bilhões em investimentos e royalties, além de impulsionar a criação de empregos diretos e indiretos.

      Pressão por licenciamento rápido

      Neste contexto em que as petroleiras internacionais avançam com descobertas expressivas, especialistas alertam para a importância de acelerar o processo de licenciamento ambiental que permitirá à Petrobras iniciar a exploração da Margem Equatorial. O atraso nesse processo pode comprometer a competitividade brasileira diante de vizinhos que já colhem resultados expressivos, como a Guiana. A estatal argumenta que dispõe de tecnologia e protocolos ambientais robustos para realizar a perfuração com segurança e baixo impacto.

      Guiana: pequena em população, gigante em reservas

      Com menos de 1 milhão de habitantes, a Guiana se consolida como um dos principais polos de crescimento da indústria. A Rystad estima que a produção nacional avance 12% este ano, alcançando 690 mil b/d e podendo atingir 1,2 milhão b/d até 2030. O gigantesco bloco Stabroek, localizado a cerca de 200 km da costa da capital Georgetown, é explorado pela ExxonMobil e parceiros. A disputa pelo controle das operações chegou a envolver a Chevron e foi resolvida recentemente por arbitragem internacional.

      Argentina: retomada e aposta no xisto

      A Argentina, historicamente limitada por políticas intervencionistas, vive uma retomada sob o presidente Javier Milei. O motor desse crescimento é Vaca Muerta, formação de xisto no oeste do país, cuja produção aumentou 26% no primeiro trimestre de 2025. Um grande oleoduto, previsto para 2027, poderá transportar cerca de 700 mil b/d até a costa atlântica, ampliando as exportações.

      Com os campos de xisto norte-americanos dando sinais de esgotamento, o centro de gravidade da indústria do petróleo pode estar se deslocando para o sul. A combinação de novas descobertas, estabilidade regulatória e infraestrutura adequada pode fazer da América do Sul a região de crescimento mais acelerado em petróleo e gás nas próximas décadas.

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