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Vorcaro troca defesa em sinalização para acordo de delação premiada

Mudança na defesa ocorre após STF manter prisão do ex-dono do Banco Master

Vorcaro troca defesa em sinalização para acordo de delação premiada (Foto: Banco Master/Divulgação)

247 - O banqueiro Daniel Vorcaro passou a ser representado por um novo advogado após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) manter sua prisão preventiva, nesta sexta-feira (13). A mudança na defesa indica que o ex-dono do Banco Master pode avançar em negociações para um acordo de delação premiada.

A informação foi divulgada pela coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, que relatou a troca de advogados no caso envolvendo o ex-banqueiro e as investigações relacionadas à liquidação da instituição financeira pelo Banco Central.

O advogado Pierpaolo Bottini, do escritório Bottini & Tamasauskas, deixou o caso e transferiu a procuração para o criminalista José Luis Oliveira Lima. Bottini alegou motivos pessoais para deixar a defesa. Nos bastidores, segundo a publicação, ele já vinha afirmando a interlocutores que não participaria de negociações para um acordo de delação premiada envolvendo Vorcaro.

José Luis Oliveira Lima é considerado um dos criminalistas mais conhecidos do país e já participou de negociações de colaboração premiada de grande repercussão. Entre os casos conduzidos por ele está o acordo firmado pelo ex-presidente da construtora OAS, Leo Pinheiro, durante o auge da Operação Lava Jato. O advogado também defendeu o ex-ministro José Dirceu no processo do mensalão, em 2012, e representou o general Braga Netto, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, no processo sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, Oliveira Lima também prestava serviços jurídicos à instituição financeira.

Vorcaro já cogitava a possibilidade de firmar um acordo de delação premiada antes mesmo de ser preso novamente, há cerca de duas semanas, por decisão do ministro do STF André Mendonça. O ex-banqueiro aguardava o julgamento da Segunda Turma da Corte para definir se avançaria com essa estratégia.

Nesta sexta-feira (13), os ministros do colegiado decidiram manter a prisão preventiva. Ao decretar a detenção, Mendonça afirmou que surgiram fatos recentes que indicariam descumprimento das medidas cautelares impostas anteriormente ao empresário.

O banqueiro havia sido preso inicialmente em novembro de 2025, quando o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master. Posteriormente, ele foi libertado sob medidas restritivas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar a cidade de São Paulo.

De acordo com a decisão do ministro, as investigações apontaram que, mesmo submetido às restrições, Vorcaro teria mantido articulações para contratar influenciadores digitais com o objetivo de criticar o Banco Central e outras instituições.

A nova prisão também foi fundamentada em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do empresário. Segundo os investigadores, os diálogos indicariam a existência de uma milícia privada destinada a intimidar e ameaçar desafetos.

Em uma das mensagens enviadas a Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão — funcionário de Vorcaro conhecido pelo apelido de “Sicário” — o ex-banqueiro escreveu: "moer essa vagabunda", referindo-se a uma funcionária que o estaria ameaçando.

Outros diálogos citam ainda uma tentativa de intimidação contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Em uma das mensagens, Vorcaro afirmou: "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto."

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