Correia aciona PF para investigar movimentações do Banco Master e empresa do pastor André Valadão
Deputado protocolou notícia de fato na Polícia Federal após o COAF apontar transferência de R$ 3,9 milhões para empresa ligada à Igreja Batista da Lagoinha
247 - O deputado federal Rogério Correia (PT/MG) formalizou junto à Polícia Federal um pedido de abertura de investigação sobre movimentações financeiras classificadas como atípicas que envolvem o Banco Master e uma empresa vinculada ao pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha. A representação foi protocolada pelo parlamentar com base em dados do sistema de inteligência financeira do Estado e aponta para operações que, segundo ele, precisam ser esclarecidas pelas autoridades competentes.
“É a primeira vez que aparece ligação direta do Banco Master com a Igreja da Lagoinha através do pastor Valadão”, disse Correia ao 247, defendendo a quebra do sigilo da instituição religiosa, de André Valadão e do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
De acordo com as informações apresentadas por Correia na notícia de fato, a iniciativa tem fundamento em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que identificou uma transferência de cerca de R$ 3,9 milhões destinada à empresa Amando Vidas Produtora e Gravadora Ltda., entidade ligada ao grupo Lagoinha. O documento oficial classifica a operação como atípica — o que, na avaliação do deputado, exige apuração formal para garantir a integridade do sistema financeiro brasileiro.
A Operação Compliance Zero, da PF, investiga um esquema de fraudes financeiras. O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso na Penitenciária Federal de Brasília (DF).
O que o pedido solicita
A representação encaminhada à PF é objetiva em seus requerimentos: pede a requisição do Relatório de Inteligência Financeira completo ao COAF e a realização de todas as diligências necessárias para verificar a origem, a natureza e a finalidade da operação financeira em questão. O documento também levanta a possibilidade de que as movimentações possam configurar irregularidade financeira ou eventual tentativa de ocultação de recursos.
Segundo o parlamentar, o objetivo não é antecipar conclusões, mas garantir que os fatos sejam apurados de forma transparente — especialmente diante do que ele descreve como um contexto mais amplo de investigações já em curso envolvendo o Banco Master e possíveis redes de circulação de recursos suspeitos.
A versão contraditória e o ecossistema investigado
Correia foi direto ao apontar o que considera uma inconsistência central no caso. Para ele, a declaração pública do pastor André Valadão sobre as movimentações não se sustenta diante do que consta formalmente no relatório do COAF — e essa contradição é justamente um dos pilares que motivaram o pedido de investigação.
Em declaração sobre o caso, o deputado foi enfático: "Estamos falando de movimentações financeiras classificadas como atípicas pelo sistema de inteligência do Estado, envolvendo um banco que já está no centro de investigações, empresas ligadas à Igreja da Lagoinha e personagens que aparecem de forma recorrente em diferentes episódios desse ecossistema. É justamente para evitar qualquer dúvida que pedimos investigação, até porque a versão do André Valadão é contraditória com o registro formal do relatório do COAF."
O parlamentar deixou claro que a apuração serve tanto para confirmar eventuais irregularidades quanto para afastá-las. "Se não houver irregularidade, que isso fique claro, mas se houver uma rede maior de relações financeiras envolvendo o Banco Master, lideranças religiosas e outros atores, eles precisam ser responsabilizados e a sociedade brasileira precisa saber", completou Correia.
Conexões entre finanças, empresas e religião
Para além dos números, o deputado aponta que o episódio pode ser um ponto de entrada para a compreensão de um fenômeno mais complexo. Na sua avaliação, o caso pode revelar articulações entre estruturas financeiras, empresariais e religiosas que ainda não foram devidamente investigadas — e que, se confirmadas, indicariam um padrão sistemático e não episódios isolados.
A menção recorrente dos mesmos nomes e instituições em diferentes contextos investigativos é, segundo Correia, um elemento que reforça a necessidade de que a Polícia Federal aprofunde as apurações e ofereça respostas concretas à sociedade.



