Vorcaro pede imunidade à família e acordo de delação pode ser fechado na próxima semana
Dono do Banco Master negocia acordo com PGR e PF e busca imunidade para familiares
247 - O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, intensificou as articulações sobre um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF), com a intenção de obter imunidade para familiares e apresentar um conjunto de informações que pode impactar as investigações em curso.
Segundo a coluna da jornalista Basília Rodrigues, do SBT News, pessoas próximas ao caso afirmam que a defesa do banqueiro reuniu, após cerca de três semanas de trabalho intensivo, dados considerados suficientes para iniciar as negociações formais com as autoridades. A expectativa é de que o acordo seja fechado na próxima semana.
Estratégia de delação e negociação com autoridades
A defesa de Vorcaro pretende apresentar um material robusto, reunido a partir de dados da investigação, mensagens de celular e relatos do próprio banqueiro. O objetivo é convencer PGR e PF a avançarem no acordo sem revelar integralmente o conteúdo antes da formalização.
Caso as negociações avancem, as autoridades poderão solicitar a inclusão de informações específicas nos depoimentos. Interlocutores afirmam que o material já permitiria preencher “muitos anexos” de uma eventual delação.
Imunidade para familiares e delação coletiva
Um dos principais pontos da negociação é a tentativa de garantir proteção jurídica a familiares, como pai e irmã, evitando que eventuais crimes atribuídos ao banqueiro sejam estendidos a eles. Além disso, a proposta inclui uma delação coletiva, com a possível citação de nomes como o fundador da Reag Investimentos, Carlos Mansur, e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Promessa de revelar bastidores do mercado
Segundo pessoas que acompanham o caso, a linha adotada por Vorcaro é de colaboração ampla. “Vorcaro vai explicar tudo”, afirmam interlocutores. Apesar de demonstrar arrependimento, o banqueiro nega participação em organização criminosa. Em declarações relatadas, ele afirma que “jogou o jogo que todo mundo joga” e pretende detalhar como o mercado financeiro teria atuado para pressionar o banco Master.
Mensagens, autoridades e pontos sensíveis
Entre os elementos que devem ser apresentados estão mensagens em que Vorcaro menciona ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá às autoridades avaliar se há indícios de irregularidades.
O uso de aeronaves de sua propriedade por terceiros também deve ser abordado como parte de uma estratégia de ampliação de contatos. A defesa ainda pretende contextualizar episódios de ameaças a desafetos, incluindo jornalistas, classificando-os como desabafos.
Já ameaças a desafetos, incluindo jornalistas, devem ser descritas como desabafos e bravatas. A menção a uma empregada de nome Monique, citada em uma conversa na qual onde Vorcaro fala em “moer”, seria funcionária de uma namorada de Vorcaro que, supostamente, teria ameaçado divulgar imagens comprometedoras do casal.
Versões divergentes sobre personagens do caso
Outro ponto envolve Luiz Philipe Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após prisão. Pessoas próximas ao caso afirmam que ele era chamado de “Mexirica” em Minas Gerais e que o apelido “Sicário” teria sido uma brincadeira.
Esses interlocutores descrevem Mourão como uma pessoa “voluntariosa”, o que indicaria maior autonomia em suas ações. Já as investigações apontam que ele era um dos principais operadores de ordens atribuídas a Vorcaro e suspeito de envolvimento na invasão de sistemas públicos.


