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Tensão interna no STF aumenta após Carnaval, dizem ministros

Crise entre ministros se agrava com investigação sobre quebra de sigilo e possível uso político de dados de magistrados

Tensão interna no STF aumenta após Carnaval, dizem ministros (Foto: Antonio Augusto/STF)

247 - A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos após o Carnaval e aprofundou o mal-estar entre integrantes da Corte. Ministros avaliam que os desdobramentos recentes agravaram a tensão interna, sobretudo diante da revelação de que uma reunião foi gravada e de que dados de magistrados teriam sido alvo de investigação irregular. As informações são do G1.

Segundo relato de um integrante do STF, o episódio deixou marcas profundas na relação entre os ministros. “Não dá para esquecer o que aconteceu somente porque passou o Carnaval. A reunião foi gravada e foi tudo muito sério. Quebrou-se a confiança interna”, afirmou.

O foco da crise envolve a apuração conduzida pela Polícia Federal sobre possível quebra ilegal de sigilo de ministros da Corte e de seus familiares. A investigação busca esclarecer se houve acesso indevido a dados com finalidade de venda de informações ou uso político — ou ambas as hipóteses simultaneamente.

O inquérito foi instaurado pelo ministro Alexandre de Moraes. No entanto, as diligências realizadas nesta semana foram solicitadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Inicialmente, todos os ministros do Supremo foram incluídos como potenciais alvos de espionagem, medida que gerou desconforto entre colegas de Moraes.

A depender dos resultados das investigações, o ambiente no STF pode se deteriorar ainda mais. Avaliações internas indicam que, caso se confirme a hipótese de uso político das informações, o impacto poderá extrapolar os limites da Corte e influenciar o cenário do ano eleitoral.

No curso das apurações, a Receita Federal informou que não foram identificadas irregularidades nos registros de dados de Paulo Gonet nem de seus familiares. O procurador-geral também constava na lista de autoridades cujos acessos seriam verificados.

Por outro lado, a Polícia Federal e a Receita já constataram que Viviane Barci Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, teve seus registros acessados indevidamente. A invasão foi realizada por um funcionário cedido à Receita Federal que atua no Rio de Janeiro.

A expectativa agora gira em torno da eventual decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin, sobre a abertura de uma investigação interna para apurar o que ocorreu. Nos bastidores, ministros reconhecem que o desfecho do caso poderá ter consequências significativas para a estabilidade institucional da Corte e para o ambiente político do país.

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